
Ouça este conteúdo
O agora ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, começou a cumprir prisão domiciliar nesta sexta-feira (6), poucas horas após ser destituído do cargo de Presidente pelo Senado em um processo de impeachment. A detenção de Peña foi determinada pelo Ministério Público, momentos após o impeachment no Senado paraguaio, no âmbito de uma investigação criminal aberta contra ele sobre suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o Ueno Bank, cuja quebra provocou uma crise política no país.
A Polícia Nacional confirmou que Peña já está detido em sua residência, onde agentes foram mobilizados para cumprir a ordem expedida pelo Ministério Público. Segundo o comunicado oficial da Procuradoria paraguaia, o ex-presidente deverá permanecer no imóvel até ser colocado à disposição da equipe de promotores responsável pela investigação. Ele deve se apresentar perante o MP paraguaio neste sábado (7).
O Ministério Público também ordenou a prisão do ex-presidente do Banco Central Carlos Carvallo, que deverá ficar sob custódia em uma unidade designada pelo comando da Polícia Nacional.
As ordens foram expedidas por quatro integrantes da equipe de promotores responsável pela investigação: Christian Manuel Benítez Cáceres, Elena Fiore Franco, Silvia Margarita González Vester e Ruth Karina Benítez. A medida integra o processo criminal que investiga suspeitas de lesão de confiança e outros possíveis delitos relacionados ao colapso do Ueno Bank.
Investigação apura relações de Peña com Ueno Bank
A decisão representa um novo desdobramento da crise que encerrou o governo de Santiago Peña no Paraguai. Horas antes da ordem do MP, o Senado aprovou seu impeachment por 44 votos a zero, tornando-o o segundo presidente eleito democraticamente a ser destituído por esse procedimento desde a redemocratização do Paraguai, em 1989.
O ex-presidente já era alvo de investigações criminais antes de sua destituição. Na quinta-feira (5), o procurador-geral do Paraguai, Emiliano Rolón Fernández, havia determinado a abertura de três processos contra ele relacionados às suspeitas de irregularidades no Ueno Bank e à aplicação de recursos públicos na instituição.
As investigações buscam esclarecer possíveis responsabilidades na fiscalização do banco, que recebeu centenas de milhões de dólares de órgãos estatais durante o governo Peña, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social (IPS).
O ex-presidente também manteve participação acionária em uma empresa do Grupo Vázquez, conglomerado responsável pelo Ueno Bank, até março de 2025. Peña nega ter interferido na fiscalização bancária ou participado de irregularidades financeiras.
Carlos Carvallo, por sua vez, renunciou à presidência do Banco Central na terça-feira (3), após a intervenção na instituição financeira. As denúncias relacionadas à sua gestão questionam se a autoridade monetária adotou as medidas necessárias diante dos problemas identificados nas operações do banco.
Nesta sexta-feira, antes da ordem de detenção, uma equipe de promotores esteve na sede do Banco Central para reunir documentos relacionados às investigações.
A quebra do Ueno Bank também levou à prisão preventiva de antigos dirigentes da instituição, incluindo seu fundador, Miguel Vázquez, e desencadeou manifestações populares contra o governo.
Com a aprovação do impeachment, Peña perdeu a possibilidade de adquirir a condição de senador vitalício, prevista na Constituição paraguaia para ex-presidentes eleitos que não tenham sido destituídos por julgamento político. Com isso, ele também perdeu a imunidade.






