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CONTRA

“Política anti-EUA enfraquece país”

Entrevista com Demétrio Magnoli, professor de Relações Internacionais da USP

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(Foto: Divulgação)

As metas do projeto Brasil 2022 são necessárias?

O documento está baseado na ideia de que o sistema internacional unipolar deve se tornar multipolar, e isso implica produzir articulação com países como Rússia, Índia e China. O que é impossível, mesmo que fosse desejável, porque eles não têm os mesmos interesses que o Brasil.

Por que a ênfase em soberania?

É um código para o Brasil di­­zer que é contra a política in­­ternacional de direitos humanos. A alegação é a de que os países são soberanos e portanto não se deve criticar governos por atitudes contra esses direitos. E disso decorre que o Brasil pode se tornar parceiro de países que têm problemas nessa área.

Nos falta soberania?

Não há nenhuma ameaça concreta, nenhuma parte do território está sendo reivindicada e nenhum direito brasileiro está sendo negado nas instituições internacionais. A referência permanente a ameaças é uma forma cifrada de dizer que o problema do sistema internacional é o imperialismo americano. Pelo contrário, o que está ocorrendo é que os EUA estão se retirando da América do Sul.

Se retirando como?

Diplomaticamente, o que de­­veria ser visto como uma opor­­tunidade para exercermos uma liderança construtiva na região. Isso significa es­­treitar relações com a maior potência e intensificar o diálogo com ela. Mas, ao invés disso, se faz uma denúncia vazia.

No governo Lula obtivemos mais ou menos respeito in­­ternacional?

Existem duas forças indo em direções opostas. Uma é a das mudanças econômicas no cenário internacional, que fazem com que os emergentes tenham mais peso na política internacional. Isso acontece independentemente do governo. Outra é uma política ultranacionalista antiamericana, que enfraquece o país no cenário internacional. Quando Lula diz que a oposição do Irã age como torcida de futebol e que presos políticos de Cuba são criminosos co­­muns, está na verdade afastando o Brasil da meta de conseguir uma vaga permanente no Conselho de Segurança.

Como poderemos entrar pa­­ra o Conselho?

Taticamente, não devemos colocar metas prioritárias que não possam ser atingidas pelos nossos próprios meios. Podemos, sim, solicitar a re­­forma com ênfase, e centrar fogo na forma como será feita, e não na candidatura própria. (HC)

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