
As metas do projeto Brasil 2022 são necessárias?
O documento está baseado na ideia de que o sistema internacional unipolar deve se tornar multipolar, e isso implica produzir articulação com países como Rússia, Índia e China. O que é impossível, mesmo que fosse desejável, porque eles não têm os mesmos interesses que o Brasil.
Por que a ênfase em soberania?
É um código para o Brasil dizer que é contra a política internacional de direitos humanos. A alegação é a de que os países são soberanos e portanto não se deve criticar governos por atitudes contra esses direitos. E disso decorre que o Brasil pode se tornar parceiro de países que têm problemas nessa área.
Nos falta soberania?
Não há nenhuma ameaça concreta, nenhuma parte do território está sendo reivindicada e nenhum direito brasileiro está sendo negado nas instituições internacionais. A referência permanente a ameaças é uma forma cifrada de dizer que o problema do sistema internacional é o imperialismo americano. Pelo contrário, o que está ocorrendo é que os EUA estão se retirando da América do Sul.
Se retirando como?
Diplomaticamente, o que deveria ser visto como uma oportunidade para exercermos uma liderança construtiva na região. Isso significa estreitar relações com a maior potência e intensificar o diálogo com ela. Mas, ao invés disso, se faz uma denúncia vazia.
No governo Lula obtivemos mais ou menos respeito internacional?
Existem duas forças indo em direções opostas. Uma é a das mudanças econômicas no cenário internacional, que fazem com que os emergentes tenham mais peso na política internacional. Isso acontece independentemente do governo. Outra é uma política ultranacionalista antiamericana, que enfraquece o país no cenário internacional. Quando Lula diz que a oposição do Irã age como torcida de futebol e que presos políticos de Cuba são criminosos comuns, está na verdade afastando o Brasil da meta de conseguir uma vaga permanente no Conselho de Segurança.
Como poderemos entrar para o Conselho?
Taticamente, não devemos colocar metas prioritárias que não possam ser atingidas pelos nossos próprios meios. Podemos, sim, solicitar a reforma com ênfase, e centrar fogo na forma como será feita, e não na candidatura própria. (HC)



