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Wildberries

Por que a Ucrânia está atacando depósitos da “Amazon russa”

Ponto de coleta de entregas da Wildberries, em Moscou: maior plataforma de comércio eletrônico da Rússia já perdeu cerca 10% da sua capacidade de armazenamento com ataques da Ucrânia (Foto: MAXIM SHIPENKOV/EFE/EPA)

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Maior plataforma de comércio eletrônico da Rússia, a Wildberries entrou na mira da Ucrânia dentro da guerra que os dois países travam desde fevereiro de 2022.

Ataques com drones ucranianos nas últimas semanas atingiram vários depósitos da plataforma apelidada de “Amazon russa”, que já perdeu cerca de 10% da sua capacidade de armazenamento.

Um dos ataques mais recentes levou ao fechamento da unidade de Riazan, ao sul de Moscou e a cerca de 500 km da fronteira com a Ucrânia.

O jornal econômico russo Kommersant informou que os danos às Wildberries são tão significativos que a empresa está buscando armazenar mercadorias no Cazaquistão para evitar prejuízos decorrentes dos ataques ucranianos.

O governo da Ucrânia afirma que está realizando esses ataques porque os armazéns da Wildberries estariam envolvidos no fornecimento de componentes de drones, equipamentos de navegação e outros itens militares ao Exército russo e porque a empresa tem uma parceria com o banco estatal VTB.

A plataforma alega que não ajuda no esforço de guerra da ditadura de Vladimir Putin, mas uma reportagem da revista americana Foreign Policy apontou que, até o último fim de semana de julho, o site da Wildberries tinha uma categoria de catálogo chamada “Tudo para a Operação Militar Especial”, como Moscou designa o conflito na Ucrânia.

Tal categoria foi retirada do site, mas uma pesquisa rápida com o termo “testado na operação militar especial” permite achar milhares de itens militares, como coletes táticos e capacetes com nível de proteção Br2, camisetas com camuflagem e insertos balísticos antiestilhaços para colete.

Uma pesquisa com o termo “componentes para drones” oferece como resposta várias opções de motores, carregadores, chassis, câmeras e placas de controle, entre outros produtos.

Ataques à Wildberries “levam a guerra” para a população da Rússia

Fundada em 2004, a Wildberries tem atualmente cerca de 48 mil funcionários e sua fundadora e CEO, Tatyana Kim, é a mulher mais rica da Rússia.

Diante das perdas que vem sofrendo com os ataques ucranianos, a varejista está buscando ajuda do regime de Putin.

Uma fonte próxima à empresa e a par das discussões que estão em andamento disse à agência Reuters que a Wildberries está em contato com autoridades russas para negociar possíveis medidas para ajudar a empresa e comerciantes que vendem produtos no site por meio do sistema de marketplace, como isenções fiscais, empréstimos de bancos estatais e subsídios.

O jornal The Moscow Times afirmou que a Wildberries implementou um pacote de medidas de apoio para os comerciantes que vendem produtos na plataforma, entre elas, taxas de armazenamento reduzidas, descontos promocionais em produtos selecionados e a isenção de taxas de transporte regional.

Além disso, a empresa anunciou a suspensão da cobrança de parcelas de empréstimos para pequenos e médios comerciantes que tiveram estoques destruídos pelos ataques da Ucrânia.

Porém, de acordo com o Moscow Times, alguns comerciantes reclamaram que tais compensações têm ficado muito aquém do valor das mercadorias perdidas.

Marina Gorshkova, que vende produtos na Wildberries, divulgou um vídeo nas redes sociais para pedir ajuda à “liderança do país” e afirmou que há 1 milhão de comerciantes registrados no site precisando de auxílio.

“Se fecharmos as portas, o Tesouro deixará de receber nossos impostos, e novos empreendedores não brotarão como cogumelos. Nós imploramos: prestem atenção em nós”, disse Gorshkova.

Em artigo recente, Natalya Kovaleva, pesquisadora do Programa Rússia e Eurásia do think tank britânico Chatham House, afirmou que, além de visar a ajuda militar à agressão do Kremlin, outro objetivo ucraniano com os ataques aos depósitos da Wildberries é “levar a guerra” para a população russa.

“Dezenas de milhões de russos comuns dependem da Wildberries para entregas; milhões deles obtêm parte ou a totalidade da sua renda atuando como vendedores na plataforma”, escreveu Kovaleva. “Assim como a escassez de combustível, a interrupção das operações da Wildberries faz com que os efeitos da guerra atinjam profundamente a classe média russa.”

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