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Presidente da República Tcheca aparece em evento com fuzil “para jornalistas”

Milos Zeman é conhecido por atacar os profissionais de imprensa do país, a quem já chamou de “estrume” e “hienas”

    • Da Redação, com agências
    • 23/10/2017 12:56
    Presidente Milos Zeman é conhecido pela linguagem vulgar contra profissionais de imprensa | Reprodução
    Presidente Milos Zeman é conhecido pela linguagem vulgar contra profissionais de imprensa| Foto: Reprodução

    O presidente da República Tcheca, Milos Zeman, provocou indignação após aparecer em uma coletiva de imprensa, nesta sexta-feira (20), segurando uma réplica de um fuzil AK-47 com a inscrição “para jornalistas”. O episódio ocorreu uma semana após a jornalista maltesa Daphne Caruana Galizia, que revelou a participação de políticos em fraudes fiscais e era considerada “a maior crítica do governo’, morrer em uma explosão automobilística.

    Além disso, o anúncio de Zeman prometendo nomear o bilionário Andrej Babis, cujo partido venceu uma decisiva eleição neste sábado (21), como primeiro-ministro do país atraiu muitas críticas. O magnata é dono dos dois principais jornais da República Tcheca, e alguns temem que o domínio da mídia esteja ameaçado. 

    O presidente Zeman teria recebido a réplica do fuzil durante uma visita à região ocidental do país. Ele defendeu os comentários feitos na coletiva e disse que os críticos não tinham senso de humor.

    O incidente de sexta-feira, no entanto, marcou um novo ponto baixo nas relações entre a mídia e o líder da República Checa. Conhecido por usar um linguajar vulgar em relação aos profissionais da imprensa, ele já chegou a se referir à jornalistas como “estrume” e “hienas”. 

    Em 2002, Zeman, que era primeiro-ministro, descreveu a mídia como uma “fossa”. Aos jornalistas de seu país, ele disse que eram as “criaturas mais detestáveis da terra”. 

    Em um evento no mês de maio, Zeman disse ao presidente da Rússia, Vladmir Putin, que alguns dos jornalistas presentes na ocasião precisavam ser “liquidados”. O comentário foi amplamente criticado pela República Tcheca. 

    Além dos profissionais da imprensa, o presidente costuma fazer comentários ‘incendiários’ a outros grupos. Em 2016, Zelman disse que um “Super Holocausto” iria ser realizado por muçulmanos, e acrescentou que o Islã é uma “religião de morte”. 

    Também sugeriu que vegetarianos e os teetotalers (pessoas que promovem a prática da abstinência completa de bebidas alcoólicas) deveriam ser mortos. Mais tarde ele explicou que se referia a apoiadores de Hitler – que se absteve de consumir álcool e carne. 

    “Parcialmente livre”

    A indignação contra as declarações de Zeman fez com que a população fosse às ruas em 2014. Durante o evento do 25º aniversário da Revolução de Veludo, milhares de pessoas participaram de uma manifestação contra a linguagem vulgar e pró-russa do presidente.  

    O governo também tentou, por sua vez, tentou limitar o número de jornalistas que têm acesso ao parlamento. A censura crescente, as restrições de liberdade de expressão e a interferência na mídia pública fizeram o país cair no Índice de Liberdade de Imprensa da Freedom House, no qual foi qualificado como "parcialmente livre" este ano.

    A população sente que a liberdade de imprensa no país está cada vez mais ameaçada no país, considerando a maneira como o presidente trata jornalistas e a concentração de veículos de comunicação nas mãos de poucos indivíduos ricos.

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