Presidente Nicolás Maduro confirmou que ser reunirá com Juan Manuel Santos no próximo dia 21 | STRINGER/VENEZUELA/REUTERS
Presidente Nicolás Maduro confirmou que ser reunirá com Juan Manuel Santos no próximo dia 21| Foto: STRINGER/VENEZUELA/REUTERS

Os presidentes venezuelano, Nicolás Maduro, e colombiano, Juan Manuel Santos, aceitaram a mediação do equatoriano Rafael Correa e do uruguaio Tabaré Vázquez, e se reunirão na próxima segunda-feira (21), pela primeira vez desde o fechamento da fronteira por Caracas, em 20 de agosto, para discutir a crise diplomática entre os dois países.

O anúncio, feito no fim da tarde de quarta (16) por Correa, foi confirmado por Maduro e pela chanceler colombiana, María Ángela Holguín, horas depois.

Nesta quinta (17), o governo brasileiro saudou, em nota, a decisão dos dois presidentes de se encontrarem e disse se preocupar, em especial, “com a dimensão humanitária da questão”.

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O Itamaraty ainda ressalta que o governo brasileiro “se mobilizou em favor desse diálogo desde o início” e “permanece pronto a dar sua contribuição para esse esforço conjunto, seja na condução dos entendimentos, seja na implementação das decisões, sempre e quando as partes diretamente envolvidas assim o desejarem”.

Sob orientação do Planalto, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, chegou a visitar Bogotá e Caracas, na companhia do colega argentino, Héctor Timerman, oferecendo o apoio para uma possível mediação.

A presidente Dilma Rousseff também conversou por telefone com Santos e o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, sobre uma possível solução para a crise.

Segundo a reportagem apurou, contudo, a leitura do governo colombiano foi de que a proposta de mediação do presidente uruguaio foi mais enfática. A resistência, então, vinha de Maduro, que se negava a falar com Vázquez e já havia anunciado publicamente que aceitava a mediação de Brasil e Argentina.

O Equador, país próximo a Caracas, foi então a peça decisiva para destravar as conversas. No último fim de semana, as chanceleres venezuelana e colombiana se reuniram em Quito, num encontro que terminou sem decisões concretas.

Os governos do Equador e do Uruguai estão, no momento, à frente da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) e da Unasul, respectivamente. No entanto, Bogotá vem sugerindo que a mediação não é dos blocos, mas de Quito e Montevidéu.

Na última terça-feira (15), a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, chegou a anunciar uma reunião de chefes de Estado da Unasul para discutir o problema na segunda (21). Horas depois, o governo do Uruguai desmentiu, dizendo que não havia “anúncio consolidado” sobre reunião do bloco.

A Colômbia sempre se mostrou mais reticente à mediação da Unasul e, na terça, o presidente Juan Manuel Santos disse que só se reuniria com Maduro se houvesse “vontade de solucionar os problemas”.

“Não quero me reunir para fazer uma foto. Quero me reunir para encontrar soluções de forma civilizada, respeitosa”, disse Santos, em Paraguachón, na fronteira com a Venezuela.

Na quarta (16), Maduro, ordenou o fechamento da fronteira no terceiro dos cinco Estados que fazem divisa com a Colômbia. Bogotá acusa Caracas de ter invadido, na última semana, seu espaço aéreo, por duas vezes, com aviões militares.

Desde o fechamento da primeira parte da fronteira, em 19 de agosto, a Venezuela deportou mais de 1.400 pessoas. A ação militar também levou à saída de mais de 18 mil colombianos de cidades venezuelanas.

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