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Congressistas democratas falam com a imprensa sobre a Lei da Igualdade, no Capitólio, em 25 de fevereiro. Imagem ilustrativa.| Foto: Getty Images via AFP

Com milhares de escolas ainda fechadas ou parcialmente fechadas em todo o país, milhões de famílias americanas lutam para encontrar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal enquanto educam seus filhos em casa.

Uma parte da sociedade americana pode estar recebendo seu próprio pacote especial de ajuda Covid-19, contudo.

Na Forbes, Adam Andrzejewski escreve que uma cláusula no projeto de lei de US$ 1,9 trilhão - a chamada “Lei do Plano de Resgate Americano de 2021” – permitiria aos funcionários federais ganhar até US$ 1.400 por semana sem trabalhar.

Enterrada nas páginas 305-306 da legislação, a disposição cria um fundo de US$ 570 milhões para pagamentos a funcionários federais que não estão trabalhando porque estão cuidando de outras pessoas por causa do coronavírus.

“Entre os elegíveis estão aqueles que são ‘incapazes de trabalhar’ porque estão cuidando de crianças em idade escolar, que não estão fisicamente na escola em tempo integral devido às precauções da Covid-19”, escreve Andrzejewski, CEO e fundador da OpenTheBooks.

De acordo com essa legislação, os funcionários federais em tempo integral têm direito a 600 horas de licença remunerada até setembro, podendo receber até US$ 35 por hora.

“São 15 semanas para um funcionário de 40 horas”, escreve ele.

As letras miúdas

De certa forma, pode parecer perfeitamente razoável permitir que os funcionários sejam pagos enquanto estiverem em casa. Afinal, as circunstâncias são únicas, e muitos de nós podemos ter empatia com os pais que lutam para trabalhar enquanto as escolas estão fechadas.

No entanto, existem sérios problemas com esta proposta. Em primeiro lugar, a legislação não faz distinção entre uma escola que foi fechada e outra que simplesmente permite que as crianças aprendam remotamente. Como resultado, os funcionários federais poderiam simplesmente optar por fazer com que seus filhos aprendam remotamente e se qualifiquem para os benefícios.

“Mesmo se o filho de um funcionário federal pudesse estar na escola cinco dias por semana, se a escola 'tornasse opcional' o ensino virtual ou híbrido, parece que os pais podem manter o filho ou filha em casa e ainda se qualificar para folgas remuneradas de acordo com o projeto”, escreve Andrzejewsk.

Em segundo lugar, a legislação não impõe restrições à idade da criança.

“Uma questão em aberto é se os pais de crianças em idade universitária poderiam tirar uma folga remunerada”, escreve Andrzejewsk. “Certamente, algumas faculdades são virtuais e não há definição de filho ou filha na proposta e nem parâmetros de idade.”

O maior problema, porém, é que essa disposição tira dinheiro dos contribuintes e depois o distribui a um círculo eleitoral específico.

Sindicalismo

Essencialmente, os US$ 570 milhões são uma vantagem especial para um segmento selecionado da força de trabalho dos EUA: funcionários federais. De acordo com o Serviço de Pesquisa do Congresso, há cerca de 2,1 milhões de civis na força de trabalho federal, muitos dos quais são representados por sindicatos.

O maior sindicato que representa os trabalhadores federais é a Federação Americana de Funcionários do Governo (AFGE, na sigla em inglês), que representa cerca de 700 mil funcionários do governo federal e do distrito federal. Depois, há a Federação Nacional dos Empregados Federais (NFFE) e o Sindicato dos Empregados do Tesouro Nacional (NTEU), que representam 110 mil e 150 mil servidores públicos, respectivamente.

Essas organizações gastaram pesadamente em causas políticas em 2020. Só o AFGE gastou US$ 2,3 milhões em contribuições políticas e US$ 1,9 milhão em lobby. O NTEU gastou US$ 760.000 e US$ 1 milhão em contribuições e lobby, respectivamente. As contribuições políticas fluíram na mesma direção (veja abaixo).

A compra de influência e vantagens – como 600 horas de licença remunerada – pode parecer grosseiro ou mesmo decadente, mas é um dos principais objetivos dos sindicatos.

Como observou o economista Hans F. Sennholz, governos e sindicatos são essencialmente “aliados no intervencionismo”. Eles procuram contornar os mercados livres para apreender e consumir a riqueza de outros por meios coercitivos. E em troca de votos e influência, os sindicatos são recompensados ​​pelos políticos com privilégios especiais para seus membros.

“Os sindicatos entregam votos políticos às administrações que prometem ser amistosas e cooperativas”, escreveu Sennholz, um antigo professor de economia e ex-presidente da FEE. “As administrações, em troca, criam privilégios legais e imunidades para os sindicatos, para que possam ser mais eficazes em sua luta econômica.”

Se você acha que isso soa um pouco como um quid pro quo, você não está errado. Os sindicatos deixaram claro, até mesmo publicamente, que esperam retorno para todos aqueles dólares e batidas nas portas.

“Aqueles que se opõem, atrasam ou inviabilizam esta legislação, não nos peçam - não peçam ao movimento trabalhista - um dólar ou uma batida na porta”, alertou o líder sindical da AFL-CIO, Richard Trumka, antes de uma votação importante na Câmara no ano passado. “Nós não iremos.”

Todos os trabalhadores gostam de vantagens no trabalho, é claro. E não há nada de errado em receber vantagens de um empregador. Mas eles devem passar no teste de livre mercado - não ser comandados pelo governo ou subsidiados pelos contribuintes.

O economista Percy L. Greaves Jr. explicou certa vez a diferença entre a forma como os sindicatos operam em comparação com os mercados livres.

“O mercado livre opera de acordo com a Regra de Ouro. Quanto maior o valor que alguém contribui para o mercado, conforme valorizado pelos consumidores, mais se recebe em troca”, escreveu Greaves Jr., colunista de longa data de US News e World Report.

“As operações de mercado livre são sempre transações voluntárias pelas quais todas as partes trocam algo que possuem por algo em que colocam um valor mais alto.”

Muitos pais, sem dúvida, desejariam ter 600 horas de licença remunerada para ficar em casa enquanto seus filhos fazem o aprendizado virtual – especialmente porque as diretrizes do CDC recém-emitidas manteriam 90% das escolas pelo menos parcialmente fechadas.

Poucos de nós terão essa opção, entretanto. Pois isso não faz sentido economicamente. Isso só faz sentido politicamente. Mas isso é o que importa quando o Congresso gasta trilhões de nosso dinheiro. Brad Polumbo, da FEE, destacou recentemente 10 propostas do orçamento de estímulo de US$ 1,9 trilhão que parecem ser alguma coisa a mais do que "propinas partidárias".

Infelizmente, você pode tomar esta como a número 11 – e nós apenas começamos a procurar.

Jonathan Miltimore é o editor-chefe da FEE.org.

© 2021 FEE. Publicado com permissão. Original em inglês.
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