“Vidas negras importam”, diz cartaz em protesto de Liverpool, Inglaterra, 2 de junho| Foto: Paul ELLIS / AFP
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Os protestos contra racismo que tomam conta dos Estados Unidos inspiraram cidadãos de outros países a saírem para as ruas. Atos na França, Reino Unido, Argentina, Holanda, Israel, Austrália, entre outros, pediram justiça pela morte do americano George Floyd e lembraram de casos locais de brutalidade policial.

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Em Paris, milhares de pessoas desafiaram a ordem da prefeitura que proíbe aglomerações durante a pandemia de coronavírus e se reuniram nesta terça-feira (2) em frente ao Tribunal de Paris. Houve confrontos entre a polícia a manifestantes.

Os atos na capital francesa foram convocados pela família de Adama Traoré, um homem negro de 24 anos que morreu em 2016 logo após ser preso em uma delegacia na região de Paris. Na semana passada, a perícia descartou a responsabilidade dos policiais pela morte de Traoré, mas um perito contratado pela família indicou nesta terça-feira que ele sofreu socos na barriga, informou a AFP.

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A polícia usou gás lacrimogêneo e projéteis para dispersar a multidão. Alguns manifestantes lançaram pedras contra os agentes, ergueram barricadas e queimaram bicicletas e outros materiais na rua. Segundo o Le Monde, que citou dados da polícia, 20 mil pessoas participaram do protesto em Paris.

Na Austrália, cerca de 3 mil pessoas se reuniram nesta terça-feira em Sidney e também pediram justiça nos casos de membros da comunidade aborígene que foram mortos sob custódia policial, segundo a imprensa local. Os manifestantes gritavam "I can't breathe" (não consigo respirar), as últimas palavras tanto de Floyd quanto de David Dungay, um aborígene de 26 anos que morreu em 2015 numa prisão enquanto era contido por cinco policiais.

"Vidas negras importam", diz cartaz em protesto de Liverpool, Inglaterra, 2 de junho
Cartazes em homenagem a George Floyd na frente da embaixada dos EUA na Cidade do México, 30 de maio
Jovens membros do partido comunista da Grécia protestam perto da embaixada dos EUA e Atenas, 1 de junho
Membros de organizações de esquerda protestam em Buenos Aires, Argentina, em homenage a George Floyd, 2 de junho
Manifestantes reunidos em Liverpool, Inglaterra, protestam em memória de George Floyd, 2 de junho
Pessoas pulam portão do parque Martin Luther King, em Paris, para escapar do gás lacrimogêneo, 2 de junho
Manifestantes protestam em Sidney, Austrália, 2 de junho
Manifestantes da esquerda da Turquia entram em confronto com a polícia em Istambul, 2 de junho
Manifestantes em Groningen, Holanda, 2 de junho
Manifestantes queimam latas de lixo, patinetes e bicicletas durante protesto em Paris, 2 de junho
Israelenses pedem por justiça no caso do americano George Floyd em Tel Aviv, 2 de junho
Protesto contra a morte do americano George Floyd em Barcelona, 1 de junho
Cerca de 4 mil pessoas protestaram em Auckland, Nova Zelândia, 1 de junho

Na Holanda, manifestantes marcharam em Haia e em Groningen nesta terça-feira para protestar contra o racismo no país. Os eventos foram pacíficos e a maior parte dos participantes seguiu as regras de distanciamento social.

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Em Londres, milhares de pessoas marcharam pelo centro da cidade no domingo até a embaixada dos EUA. No mesmo dia, também houve protestos nas embaixadas americanas em Copenhaguen e Berlim. Na segunda-feira, pessoas se reuniram na Nova Zelândia em solidariedade aos atos nos Estados Unidos.

O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, disse hoje em Bruxelas que a morte de George Floyd foi resultado de abuso de poder. "Na Europa, estamos chocados e estarrecidos pela morte de Floyd", disse, enfatizando que a Europa apoia o direito à manifestação pacífica e pedindo pela diminuição das tensões.

George Floyd morreu na semana passada durante uma abordagem policial em uma rua da cidade americana de Minneapolis. Um vídeo mostra o policial Derek Chauvin pressionando seu joelho por mais de oito minutos contra o pescoço de Floyd, que estava desarmado e algemado.

O caso, que se soma a outros de violência policial contra negros nos EUA, motivou protestos em dezenas de cidades do país. Houve caos, saques e confrontos com a polícia, principalmente nas grandes cidades. Forças da Guarda Nacional foram enviadas para pelo menos 23 estados para conter o casos de violência e dezenas de cidades adotaram toque de recolher. Chauvin foi preso e responderá por assassinato em terceiro grau.