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Manifestações contra corrupção estatal no Iraque
Manifestações contra corrupção estatal no Iraque| Foto: AHMAD AL-RUBAYE/AFP

Protestos se intensificaram no Iraque nesta quinta-feira (3), quando as autoridades impuseram toque de recolher e cortaram o acesso à internet, mergulhando o país em um blecaute de informações.

Em quatro dias de protestos, pelo menos 46 pessoas morreram e mais de 1.500 ficaram feridas durante confrontos com as forças de segurança, que dispararam gás lacrimogêneo e munição contra a multidão de manifestantes. Três membros das forças de segurança estão entre os mortos, segundo disse à agência EFE o porta-voz da Comissão Iraquiana de Direitos Humanos, Ali al Bayati.

"Os hospitais estão enchendo", disse. Muitos casos, segundo ele, estavam em condição crítica.

Grande parte do país está sob um toque de recolher, declarado no início da quinta-feira pelo primeiro-ministro Adil Abdul Mahdi.

Por que os iraquianos estão protestando?

Os iraquianos estão protestando contra corrupção, desemprego e serviços precários, como o fornecimento de água e eletricidade. Para a maioria dos civis, houve poucas melhorias nos últimos dois anos, desde que as forças iraquianas expulsaram militantes do Estado Islâmico das principais cidades. Para muitos dos cidadãos, a vida está piorando no país rico em petróleo.

O frágil governo do primeiro-ministro Abdul Mahdi tem lutado para nomear ministros para posições-chave e para combater desvios de dinheiro dos serviços públicos.

A Transparência International classificou as instituições do país como as 12ª mais corruptas do mundo. A corrupção é tão grave que os economistas agora a descrevem como endêmica.

Além disso, a infraestrutura do país está se deteriorando, cidades destruídas pela guerra ainda precisam ser reconstruídas e grupos armados ainda têm poder nas ruas, segundo relatou a Reuters.

Relatos da imprensa internacional dão conta que os protestos atuais não têm motivos religiosos. De acordo com a Reuters, a maioria dos iraquianos tentou evitar a retórica sectária após a brutal experiência do autointitulado Estado Islâmico, que é radical sunita - embora ainda exista tensão sectária.

Quem está organizando?

As manifestações parecem ser espontâneas e organizadas por meio de redes sociais. Haider Al-Lami, 29 anos, disse que se juntou aos protestos porque eles pareciam ter crescido organicamente, e não como resultado de uma ligação de partidos políticos. "Este é um levante das pessoas que sofrem. Representa eles e somente eles", afirmou. "Espero que isso possa reformar o sistema corrompido".

Como o governo está respondendo?

Nesta quinta-feira, as forças especiais entraram em ação em Bagdá com veículos blindados para repelir os protestos, enquanto a polícia disparou tiros contra os manifestantes. À noite, Mahdi transmitiu uma mensagem televisionada na qual defendia seu governo e administração política de uma crise "que ameaça destruir todo o Estado". Ele não mencionou os manifestantes, mas prometeu auxílio financeiro às famílias sem recursos e pediu mais tempo para aplicar as reformas que prometeu quando chegou ao poder.

Segundo a Reuters, nesta semana Abdul Mahdi também prometeu empregos para os recém-formados e instruiu o ministério do petróleo e outros órgãos do governo a incluir uma cota de 50% para trabalhadores locais em contratos com empresas estrangeiras.

Os Estados Unidos estão envolvidos?

Não. Existem cerca de 5.000 soldados americanos no Iraque para ajudar as forças do governo a combater os remanescentes do grupo do Estado Islâmico no país.

No início da quinta-feira, a coalizão liderada pelos EUA relatou explosões dentro ou perto da "Zona Verde" da cidade, um terreno fortemente fortificado que hospeda instituições governamentais, embaixadas e bases militares.

"Nenhuma instalação da coalizão foi atingida. As tropas da coalizão sempre se reservam o direito de se defender, ataques ao nosso pessoal não serão tolerados", disse o coronel do exército norte-americano Myles Caggins, porta-voz da coalizão.

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