Imigrantes organizam manifestação pró-reforma da imigração: promessa de campanha de Obama deve facilitar anistia e reforçar a proteção às fronteiras| Foto: Jason Reed/Reuters
Veja alguns projetos de lei considerados prioritários pelo governo Obama

Após a aprovação da reforma da saúde, o governo Barack Oba­­ma se prepara para enfrentar ao menos mais três batalhas no Congresso. Para os próximos me­­ses estão pré-agendadas as re­­formas da imigração, da regulação financeira e da educação. As três propostas ainda não foram finalizadas e transformadas em projetos de lei, mas desde já o Partido Democrata se prepara para as muitas polêmicas que os assuntos devem gerar.

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O ponto mais nevrálgico é a reforma da imigração, uma promessa de campanha do presidente americano que deve se tornar a próxima reforma a ser posta na mesa. Na última quarta-feira, uma manifestação de imigrantes reuniu 200 mil pessoas em Washington e demonstrou o tipo de reação popular que o de­­bate provoca. Enquanto os ma­­nifestantes gritavam "Sí, se puede" (O lema de campanha de Oba­­ma, em espanhol), moradores que passavam pelo local respondiam com palavras de ordem como "fale inglês ou saia do meu país".

Qualquer lei sobre imigração a ser aprovada terá de, obrigatoriamente, levar em conta e relevar este tipo de tensão so­­cial. As proposições iniciais em discussão demonstram que a lei investirá em duas frentes aparentemente opostas. Os imigrantes no país terão oportunidades de anistia, mas os que tentam entrar a partir da aprovação da lei serão barrados (leia mais ao lado).

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Operando contra a próxima reforma, a desconfiança popular se soma à sintomática vitória apertada do governo na ampliação da cobertura médica na Câ­­mara (219 a favor e 212 contra), à crescente queda de popularidade – não estancada se­­quer com esta vitória –, e à rea­­liza­­ção das eleições parlamentares que renovarão toda a Câ­­mara e um terço do Senado.

Vantajosos

Benjamin Powell, professor de Economia da Universidade Suf­­folk (Boston), defende que as restrições imigratórias dos Es­­tados Unidos custam mais di­­nheiro que a liberação. "A mais importante mudança a ser efetivada por uma reforma migratória é a abertura das fronteiras dos Es­­tados Unidos. Vai ser bom para a América e bom para os imigrantes", afirma.

Powell trabalha com um mo­­delo econômico que prevê crescimento econômico na legalização dos trabalhadores estrangeiros. "Ao contrário do que as pes­­soas pensam, os imigrantes não roubam os empregos dos americanos. Eles assumem algumas posições e, com seu trabalho, criam outras vagas. Isso aconteceu antes nos EUA. O baby boom do pós-guerra, por exemplo, foi levado a cabo em sua maioria por imigrantes, e ajudou na evolução da economia americana", relaciona.