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Para entender

Quem é o grupo que exporta as ideias de Javier Milei para o Brasil?

A presidente executiva do Foro Alberdiano, a deputada nacional argentina Miriam Niveyro (à esquerda), na diplomação do embaixador do grupo no Brasil, Rodrigo Piernas Andolfato, em novembro de 2024 (Foto: Carol Jacob/Alesp)

O Foro Alberdiano Internacional, fundado em 2024 na Argentina, consolida sua expansão global para difundir o liberalismo econômico. Com representantes em 11 países, o grupo realiza neste fim de semana o evento Vivac 2026 em Buenos Aires. O objetivo é fortalecer uma rede política de direita na América Latina que sirva de contraponto direto à influência histórica do Foro de São Paulo.

O que é o Foro Alberdiano e qual seu principal propósito?

O Foro Alberdiano Internacional é uma organização política e cultural criada após a vitória de Javier Milei na Argentina, com o objetivo de ser um contraponto ideológico ao Foro de São Paulo. Enquanto o grupo brasileiro é associado a ideias de esquerda e socialismo, o Foro Alberdiano busca disseminar o que chamam de ideias da liberdade em outros países. O nome homenageia Juan Bautista Alberdi, o pensador por trás da Constituição argentina de 1853 e uma das maiores inspirações para os libertários atuais. O grupo trabalha para promover conceitos como o Estado limitado, a economia de mercado e a proteção rigorosa da propriedade privada, tentando mudar o paradigma político latino-americano que, segundo os organizadores, foi dominado por décadas por políticas populistas e dependentes do governo.

Como o movimento está se estruturando dentro do Brasil?

A operação brasileira é liderada por Rodrigo Piernas Andolfato, que atua como embaixador-geral do movimento no país. A estratégia de organização é inspirada no modelo argentino e foca na criação de núcleos locais, chamados de células municipais. Atualmente, o estado de São Paulo já foi dividido em sete regiões, cada uma com seu próprio embaixador regional para coordenar as atividades. O plano para os próximos meses inclui o lançamento de um site oficial e um aplicativo exclusivo. Essas ferramentas digitais serão usadas para organizar um sistema de associativismo e oferecer minicursos sobre pensamento liberal e os princípios de Alberdi. A ideia central é que o movimento cresça de baixo para cima, partindo da mobilização de cidadãos comuns nos municípios até alcançar esferas mais altas da política nacional.

Existe o plano de transformar o foro em um partido político brasileiro?

No momento, os líderes do Foro Alberdiano no Brasil afirmam que não há uma intenção imediata de registrar a organização como um partido político formal. O foco atual é a batalha cultural e a institucionalização do movimento como uma rede de debate e formação de lideranças. No entanto, o embaixador Rodrigo Andolfato admite que o trabalho de base realizado através das células municipais deixa o caminho preparado para o futuro. Ele mencionou a intenção de discutir, junto aos aliados na Argentina, a viabilidade de coletar assinaturas para fundar uma legenda nos mesmos moldes do La Libertad Avanza, o partido de Javier Milei. Por enquanto, o grupo prefere atuar como uma força de apoio e articulação, endossando candidaturas alinhadas aos seus princípios, como a de Flávio Bolsonaro no cenário brasileiro.

Quais são os valores defendidos na declaração de princípios do grupo?

O movimento se baseia em um documento chamado Princípios de São Paulo, que funciona como um manifesto pela liberdade e pelo progresso. Entre os pontos centrais está a defesa intransigente da liberdade individual como o motor principal para o desenvolvimento de qualquer sociedade. O grupo defende que o Estado deve ser enxuto e eficiente, focando apenas em funções essenciais como justiça e segurança, deixando a economia para o livre mercado e para a competição saudável entre empresas. Além disso, valorizam o mérito individual e o esforço pessoal como caminhos para a ascensão social, rejeitando políticas de assistência estatal gigante que, na visão deles, geram dependência. O grupo também prega a atração de investimentos estrangeiros e uma reforma educacional que foque no pensamento crítico e na autonomia do aluno.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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