Sessão da Câmara dos Representantes dos EUA para votação do impeachment do presidente Donald Trump por “incitação a insurreição”, 13 de janeiro
Sessão da Câmara dos Representantes dos EUA para votação do impeachment do presidente Donald Trump por “incitação a insurreição”, 13 de janeiro| Foto: Chip Somodevilla/Getty Images/AFP

O impeachment do presidente americano Donald Trump foi aprovado na Câmara dos Representantes, na quarta-feira, com o apoio de dez republicanos.

Quando Trump sofreu impeachment na Câmara pela primeira vez, em 2019, nenhum republicano votou contra o presidente. Embora o apoio de dez entre os 211 parlamentares republicanos esteja longe de representar uma maioria, o número é significativo por ser o maior número de membros do partido de um presidente americano que votaram a favor do seu impeachment.

Estes são os republicanos da Câmara que votaram pelo impeachment de Trump por "incitar a insurreição":

Liz Cheney

Liz Cheney, representante do Wyoming e filha do ex-vice-presidente Dick Cheney, é a terceira líder dos republicanos na Câmara. Ela foi enfática ao anunciar que votaria pelo impeachment, dizendo que Trump "convocou essa multidão, reuniu essa multidão e acendeu a chama desse ataque". Em comunicado divulgado na terça-feira, Cheney disse que "nunca houve maior traição por um presidente dos EUA de seu cargo e de seu juramento à Constituição".

John Katko

O representante de Nova York John Katko foi o primeiro republicano a anunciar que apoiaria a acusação do impeachment. "Não pode ser ignorado que o presidente Trump encorajou essa insurreição - tanto nas redes sociais antes de 6 de janeiro quanto no seu discurso naquele dia", disse Katko em comunicado. "Ao deliberadamente promover teorias infundadas sugerindo que a eleição foi roubada de alguma maneira, o presidente criou um ambiente combustível de desinformação, exclusão e divisão. Quando isso se manifestou em atos violentos em 6 de janeiro, ele se recusou a prontamente e energicamente pedir que eles parassem, colocando incontáveis vidas em perigo", afirmou Katko, dizendo ainda que não responsabilizar Trump seria uma "ameaça direta" à democracia.

Tom Rice

O voto que mais surpreendeu analistas na votação de quarta-feira foi o de Tom Rice, da Carolina do Sul. Ao contrário de outros colegas, ele não havia criticado publicamente o presidente Trump. Ele justificou o seu voto dizendo: "Assim que a violência começou, quando o Capitólio estava sitiado, quando a polícia do Capitólio estava sendo agredida e morta e quando o vice-presidente e o Congresso estavam sendo isolados, o presidente estava assistindo e tuitando sobre a falta de coragem do vice-presidente".

"Passou uma semana desde que tantos foram feridos, o Capitólio foi saqueado e seis pessoas foram mortas, incluindo dois policiais. Ainda assim, o presidente não se dirigiu à nação para pedir calma. Ele não visitou os feridos e enlutados. Ele não ofereceu condolências. Ontem [terça-feira] em entrevista coletiva na fronteira, ele disse que seus comentários foram 'perfeitamente apropriados'", afirmou.

Peter Meijer

Meijer, um novo congressista de Grand Rapids, no Michigan, disse que estava votando pelo impeachment "com o coração pesado".

"O presidente Trump traiu o juramento ao cargo ao procurar minar nosso processo constitucional e tem responsabilidade por incitar a insurreição que sofremos na semana passada", afirmou.

Nesta quinta-feira, Meijer disse que ele e seus colegas estão tomando precauções de segurança e que "nossa expectativa é que alguém tente nos matar", após ter recebido ameaças de morte após os tumultos no Capitólio.

Em entrevista à MSNBC, o republicano disse que vários congressistas estão andando com escolta armada e alterando suas rotinas "por medo pela nossa segurança".

Adam Kinzinger

Kinzinger, um veterano da Força Aérea do estado de Illinois, costuma fazer críticas a Trump e já havia deixado clara a sua intenção de votar pelo impeachment.

"Para mim não há dúvidas de que o presidente dos Estados Unidos quebrou o seu juramento e incitou essa insurreição", disse Kinzinger em comunicado, questionando que, "se as ações do presidente não são dignas de impeachment, então o que é uma infração punível por impeachment?".

Jaime Herrera Beutler

A deputada Jaime Herrera Beutler, que fez parte do movimento Tea Party em 2010, está em seu sexto mandato representando um distrito do estado de Washington. Ela ficou conhecida após ter tido uma filha prematura que nasceu sem os rins e com uma síndrome rara. O bebê se tornou o primeiro a sobreviver a essa condição fatal.

Beutler disse que, embora muitos parlamentares temam o presidente, "a verdade nos libera do medo". "Não estou escolhendo lados. Estou escolhendo a verdade", afirmou.

Fred Upton

O representante Fred Upton, do Michigan, anunciou que apoiaria o impeachment do presidente depois que Trump "não expressou arrependimentos" pelos ataques ao Congresso. "Eu teria preferido um censura formal e bipartidária em vez de um processo de impeachment arrastado. Eu temo que isso irá interferir em assuntos legislativos importantes e uma nova administração Biden. Mas é hora de dizer: basta", disse Upton.

Dan Newhouse

O representante do quarto distrito de Washington desde 2015 Dan Newhouse anunciou que votaria pelo impeachment em um debate na terça-feira, dizendo que ele e outros são responsáveis por "não se pronunciar mais cedo, antes que o presidente desinformasse e inflamasse uma turba violenta".

"Não há desculpas para as ações do presidente Trump. O presidente assumiu prestou juramento para defender a Constituição contra todos os inimigos, estrangeiros e domésticos. Na semana passada, havia uma ameaça doméstica na porta do Capitólio, e ele não fez nada para impedi-la. Por isso, com o coração pesado e vontade clara, votarei 'sim' nesses artigos de impeachment".

Anthony González

Anthony González, um ex-jogador de futebol americano de Ohio que está em seu segundo mandato, disse que passou os últimos dias refletindo sobre os acontecimentos no Capitólio e concluiu que o presidente Trump "ajudou a organizar e incitar uma turba que atacou o Congresso dos EUA em tentativa de impedir que completássemos nossas funções solenes como prescrito pela Constituição".

González disse ainda que Trump "abandonou o seu posto enquanto congressistas pediam ajuda" e que "essas são ameaças não apenas à vida das pessoas mas à própria fundação de nossa República".

David Valadao

O congressista David Valadao representa um distrito da Califórnia de maioria latina onde Biden venceu Trump na eleição de novembro. Sobre o seu voto no impeachment, Valadao disse que "o presidente Trump foi, sem dúvida, uma força propulsora nos eventos catastróficos que ocorreram em 6 de janeiro".

"Sua retórica de incitação foi não-americana, abominável e absolutamente uma infração punível com o impeachment", acrescentou.

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