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Para entender

Quem são os leigos convocados para liderar a ordem dos Carmelitas?

A cruz como sinal de serviço e devoção. (Foto: Imagem criada por Inteligência Artificial.)

Líderes da Ordem dos Carmelitas Descalços realizaram, entre 23 e 26 de julho de 2026, em Ávila, na Espanha, o primeiro encontro mundial da história voltado para membros seculares. O evento marcou uma mudança histórica ao convocar quase 33 mil leigos a assumirem um papel de liderança coigual ao de frades e freiras, visando modernizar a atuação da Igreja Católica e enfrentar a escassez de clérigos.

O que significa o termo Carmelitas Seculares na prática?

Os Carmelitas Seculares (OCDS) são leigos — católicos que não são padres nem freiras enclausuradas — que vivem no mundo, têm suas profissões e famílias, mas seguem a espiritualidade da Ordem. Embora o nome tenha mudado de 'Terceira Ordem' para 'Seculares' em 2003 para indicar igualdade, a liderança da Ordem admite que apenas agora está ocorrendo uma mudança real de mentalidade. O objetivo é que eles deixem de ser apenas seguidores para se tornarem líderes ativos em seus ambientes de trabalho e comunidades, locais onde os religiosos de hábito muitas vezes não conseguem chegar.

Por que a liderança leiga tornou-se vital para a Ordem agora?

Existe um fator numérico decisivo: os Carmelitas Seculares hoje superam os sacerdotes da ordem em uma proporção de 8 para 1. Em outras ordens, como a Franciscana e a Dominicana, essa diferença é ainda maior. Além da necessidade prática, há um desejo de combater a secularização e o consumismo do mundo moderno. A liderança entende que os leigos estão melhor posicionados para oferecer um sentido espiritual à sociedade contemporânea, utilizando sua formação profissional combinada com uma vida profunda de oração.

Como está sendo feita a padronização dessa nova liderança?

Para garantir que essa transição seja eficaz, a Ordem lançou um programa nacional de formação padronizado, que serve como modelo global. Este programa inclui manuais oficiais que cobrem todas as etapas do desenvolvimento espiritual e administrativo do leigo. A ideia é que a formação não seja apenas um acúmulo de fatos teóricos, mas uma preparação prática para que o serviço e a oração caminhem juntos, permitindo que os Seculares assumam responsabilidades que antes eram exclusivas dos frades, como a gestão das próprias comunidades locais.

Quais exemplos mostram essa colaboração na vida real?

Dois projetos se destacam: na Venezuela, o grupo 'Nagoanagoa' foi fundado por médicos leigos que levam saúde a áreas remotas da selva, atraindo voluntários de diversas áreas técnicas. Já em Portugal, o projeto 'Casa de Comunión' promove a vivência conjunta entre frades, freiras e leigos. Eles não moram na mesma casa, mas organizam retiros, palestras e assistência diocesana como uma única equipe familiar. Essas iniciativas provam que a barreira entre o clero e o leigo está diminuindo em prol de uma missão social e espiritual mais ampla.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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