Protesto contra o ditador Nicolás Maduro, por impor dificuldades para referendo revogatório na Venezuela para removê-lo do cargo| Foto: EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ
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A Venezuela aparece como um dos quatro países mais corruptos do mundo no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2021, divulgado pela organização Transparência Internacional.

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Com nota 14 num indicador que vai de 0 a 100, o país piorou um ponto e uma posição em relação ao levantamento de 2020, e terminou em 177º lugar entre os 180 países e territórios avaliados. O desempenho da ditadura de Nicolás Maduro foi o pior das Américas e mundialmente só superou os de Somália, Síria e Sudão do Sul.

O IPC é produzido pela Transparência Internacional desde 1995: quanto maior a nota no indicador, maior é a percepção de integridade do país. Em 2021, o índice destacou a relação entre corrupção e abuso de direitos humanos.

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“Como mostra o relatório deste ano, países percebidos como altamente corruptos têm maior probabilidade de reduzir seu espaço cívico e democrático e atacar direitos da população”, apontou a Transparência Internacional.

A entidade destacou que a Venezuela recebeu uma das pontuações mais baixas do mundo porque “a corrupção generalizada levou a graves violações dos direitos sociais, inclusive no acesso à educação, saúde e alimentação”.

“O sistema judicial tornou-se um instrumento de repressão contra dissidentes e críticos. Nos últimos anos, houve um aumento de presos políticos, prisões arbitrárias e restrições às liberdades fundamentais”, argumentou a Transparência Internacional.

“O bloqueio do acesso à informação pública, a falta de responsabilização dos órgãos estatais e a ausência de um sistema de Justiça independente criam um ambiente em que as violações dos direitos humanos passam despercebidas e impunes”, acrescentou.

Com 20 pontos, Nicarágua e Haiti empataram na 164ª posição mundialmente e foram os piores das Américas depois da Venezuela, mas em momentos diferentes. Enquanto o Haiti somou dois pontos a mais em relação a 2020 e subiu seis posições, a Nicarágua vem em baixa, já que no ano retrasado havia obtido 22 pontos e ficado em 159º lugar.

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“A Nicarágua perdeu nove pontos nos últimos dez anos, estabelecendo-se como a terceira ditadura da região por meio de um processo eleitoral ilegítimo, abusos sistemáticos dos direitos humanos e uma concentração absoluta de poder nas mãos de Daniel Ortega (ditador do país) e Rosario Murillo (vice-presidente e esposa de Ortega). Hoje, a Nicarágua carece da transparência e dos controles do poder Executivo necessários para controlar a corrupção”, salientou o relatório.

Em 115º lugar, com 34 pontos, El Salvador foi apontado como o país das Américas a ser observado este ano. “Em 2022, El Salvador pode se estabelecer como uma ditadura se as autoridades continuarem a minar a democracia, assediar críticos e restringir direitos civis e políticos”, justificou a Transparência Internacional.

Estagnação nas Américas

Apesar de Venezuela, Haiti e Nicarágua apresentarem os números mais preocupantes, a organização alertou que as Américas em geral ficaram estagnadas no combate à corrupção em 2021. A pontuação média dos países da região ficou em 43 pontos pelo terceiro ano consecutivo.

“Apesar da extensa legislação e do compromisso regional de controlar esse flagelo, a corrupção nas Américas continua a minar a democracia e os direitos humanos”, concluiu a Transparência Internacional, ao enfatizar que 22 países da região não obtiveram mudanças estatisticamente significativas em seus níveis de corrupção. “Nos últimos dez anos, apenas a Guiana (pontuação no IPC: 39) e o Paraguai (30) conseguiram melhorias notáveis”, lamentou.

Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]
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