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China

Regime comunista chinês põe "neomaoísmo" em xeque em sua 4ª transição

Grupo minoritário do PCCh ficou muito debilitado pelas lutas de poder que, às vezes, evocavam os "expurgos" da era Mao

  • PorEFE
  • 12/11/2012 07:12
Registro do público presente no congresso do partido | REUTERS/Carlos Barria
Registro do público presente no congresso do partido| Foto: REUTERS/Carlos Barria

O setor "neomaoísta" do Partido Comunista da China (PCCh), que é a favor do retorno aos ideais do Grande Timoneiro, foi a grande vítima na transição de poder que será articulada a partir do 18º Congresso da formação, que nesta segunda-feira entra em seu quinto dia.

Esse grupo minoritário do PCCh, distanciado tanto da facção "reformista", que dominou o país por 10 anos (liderada pelo presidente Hu Jintao), como dos "liberais", que controlaram o poder nos anos 90 (Jiang Zemin e seus aliados em Xangai), ficou muito debilitado pelas lutas de poder que, às vezes, evocavam os "expurgos" da era Mao.

A principal vítima foi Bo Xilai, ex-secretário-geral do PCCh em Chongqing, cujas tentativas de recuperar a estética e o idealismo maoísta nessa metrópole às margens do Yang Tsé sempre causaram receios em Pequim.

Transmitindo na televisão local filmes da época de Mao - amigo de seu pai Bo Yibo, que ocupou os mais altos cargos nos primeiros governos maoístas -, e obrigando os moradores da cidade a cantar melodias revolucionárias na rua, Bo Xilai transformou Chongqing na "capital vermelha" da China.

Além da estética, Bo também defendia o retorno dos valores tradicionais do maoísmo com uma política populista alternativa à do governo central, mais centrada nos indicadores econômicos.

Este peculiar modelo e a pouca simpatia demonstrada por Pequim fez com que agora - momento em que Bo aguarda um julgamento por corrupção e sua esposa encontra-se presa por ter assassinado um empresário britânico -, muitos vejam o fato como uma revanche política em direção a um líder que não se relacionava com os "reformistas" e nem com os "liberais".

"A campanha vermelha de Bo e sua popularidade poderiam ter gerado entre os líderes reformistas um medo de que o maoísmo continuasse sendo popular", apontou o professor Zhang Min, da Universidade Popular de Pequim.

No entanto, Bo não é a única vítima da vontade do PCCh de reduzir o "neomaoísmo", já que há poucos dias se confirmava a queda do general Liu Iuane, um amigo da família de Bo.

Liu, principal responsável de Logística do Exército, não obteve em outubro nenhum dos cargos à cúpula militar que aspirava, sendo que na última na semana foi confirmada sua saída do Presidium, o influente órgão encarregado da organização do 18º Congresso do PCCh.

O general foi companheiro de classe do irmão de Bo Xilai, Bo Xucheng, na Escola Secundária Número Quatro de Pequim, um reconhecido colégio de filhos de revolucionários.

Assim como o irmão de Bo, Liu é filho de uma família que passou por tempos melhores durante os primeiros anos de Mao no poder, já que Liu Shaoqi foi presidente da China nos anos 60.

Segundo os analistas, outro representante da corrente que se viu em xeque nos últimos meses foi Zhou Yongkang, membro do Comitê Permanente, o seleto grupo de nove pessoas que controla o Partido e o Estado, além de ser o principal responsável pela segurança do regime.

Na primavera, quando Bo começava a perder seus privilégios, veio à tona a notícia de que Zhou seria o próximo a cair e, inclusive, circularam rumores nunca confirmados que o mesmo havia tentado dar um golpe de Estado.

Zhou acabou mantendo o tipo, mas todos os observadores dão por certo que, após sua retirada do Comitê Permanente nesta semana, o novo "czar da segurança" que lhe suceder não receberá a mesma cota de poder.

A queda dos setores mais à esquerda do Partido, os mais populistas, poderia vir acompanhada de reformas ideológicas se, como dizem alguns observadores, o atual 18º Congresso decidir recortar parte do "pensamento Mao" na nova emenda da Constituição do PCCh.

"Muitos dos pontos de vista de Mao já são obsoletos e não devem ser mencionados, como seus ideias sobre a reforma", assinalou à Agência Efe o membro da estatal Academia de Ciências Sociais Jing Minqing.

Outras autoridades que se inspiravam no "modelo de Bo", protegidos no site "China Vermelha" - bloqueado no país, mas ativo em Hong Kong -, pediram ao regime que não transforme uma disputa política em um caso judicial.

"As acusações se centram no dinheiro em seus bolsos e nas mulheres em sua cama. Ambas as coisas são problemáticas, mas são suficientes para assegurar sua destituição?", indagava um destes defensores, o comentarista político Sima Nan.

Sima, um dos "neomaoístas" que mais abertamente falou a favor de Bo, também protagonizou seu próprio momento de "rejeição pública" quando, dias após lançar esta defesa, um estudante lhe arremessou um sapato em uma conferência universitária.

Atos de tensão política que lembram a Revolução Cultural, o "grande erro de Mao" para o regime chinês: o atual primeiro-ministro, Wen Jiabao, advertiu em março que o país não voltaria a cair no caos daquela época, em outra mensagem contra aqueles que sentem saudades ao Grande Timoneiro.

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