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Estação de trem coberta pela neve em Bucareste, a capital da Romênia | Bogdan Cristel/Reuters
Estação de trem coberta pela neve em Bucareste, a capital da Romênia| Foto: Bogdan Cristel/Reuters

Nove crianças romenas foram levadas para uma creche depois que um bebê morreu numa casa sem calefação, juntando-se a pelo menos 189 outras mortes no Leste Europeu por causa de uma frente fria vinda da Sibéria, que se intensificou nesta sexta-feira (3) e avançou mais a oeste.

A temperatura despencou para 37 graus negativos no norte da Eslováquia, e equipes de resgate escavam a neve em estradas montanhosas para salvar passageiros que ficaram ilhados dentro de ônibus nos Bálcãs. Na Romênia, 80% do rio Danúbio congelou, impedindo a navegação rumo ao mar Negro, mas a maior preocupação é mesmo com as crianças do país, o segundo mais pobre da União Europeia. Autoridades da localidade de Iasi levaram três meninas para uma creche depois que um bebê de 4 meses morreu numa casa onde a temperatura caíra a 20 graus Celsius negativos. "Essas crianças já estavam sofrendo de desnutrição. Quando o frio chegou, a situação delas foi de mal a pior, até o grau catastrófico", disse um porta-voz local à Reuters. Essa fonte estimou que até 15 mil crianças podem estar sob risco em Iasi, e que outras seis foram levadas para a creche. O país mais afetado pelo frio é a Ucrânia, onde 101 pessoas morreram, sendo 38 nas últimas 24 horas. Os supermercados relatam desabastecimento, pois caminhões com produtos ficam retidos na neve e não conseguem realizar entregas. A Romênia já registrou 24 mortos desde o início da onda de frio, e a Bulgária teve 11.

Desde quinta-feira (2) houve também oito mortos a mais na Polônia, e a Bósnia registrou seis vítimas, incluindo quatro pessoas que dormiam ao relento em Sarajevo, a capital. A Sérvia, que já teve seis mortes, declarou estado de emergência em 19 municípios. A Albânia registrou sua primeira morte, de um homem de 63 anos. Em Praga, na República Tcheca, as autoridades disseram que um homem aparentemente usou o frio para se suicidar. "Ele bebeu uma garrafa de álcool, tirou a roupa e se sentou num parque", disse um porta-voz do serviço de emergências. Na França, um idoso de 82 anos se tornou a primeira vítima da onda de frio. Ele sofreu uma hipotermia -diminuição da temperatura normal do corpo- ao sair de casa apenas de pijama, em Lyon, com uma temperatura de 14 graus Celsius negativos. Na vizinha Itália, a nevasca, a mais intensa em Roma desde a década de 1980, levou ao fechamento de atrações turísticas como o Coliseu e o Fórum Romano. O serviço meteorológico alemão DWD disse que a onda de frio deve continuar pelos próximos quatro dias no centro e leste do continente, mas que as temperaturas já devem subir acima de zero grau na maior parte da França e Grã-Bretanha. A União Europeia informou que o fornecimento de gás russo para alguns países do Leste Europeu, Itália, Grécia e Áustria diminuiu ainda mais, mas que a situação não é de emergência. Todos os países da UE receberam gás adicional de outras fontes.

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