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Corpos de guerrilheiros mortos pelo Exército colombiano são expostos na base militar de Villavicencio, em março de 2012 | John Vizcaino/Reuters
Corpos de guerrilheiros mortos pelo Exército colombiano são expostos na base militar de Villavicencio, em março de 2012| Foto: John Vizcaino/Reuters

Histórico de fracassos

Conflito armado na Colômbia dura quase meio século.

1964 – As Farc surgem como exército de camponeses.

1984 – Começam as primeiras conversas de paz com o presidente Belisario Betancur. As Farc prometem abrir mão dos sequestros.

1990 – Bernardo Ossa, candidato do União Patriótica, partido político apoiado pela guerrilha, é assassinado, e as Farc se voltam ainda mais para ações militares.

1996 – No fim da década, grupo chega ao auge com 17 mil combatentes.

1998 – Conversas de paz são retomadas com o presidente Andrés Pastrana.

Fevereiro de 2002 – Pastrana suspende as conversas depois que as Farc sequestram um avião.

Maio de 2002 – Álvaro Uribe é eleito presidente, e as Farc lançam ataques em Bogotá no dia da posse.

2008 – O número 2 do grupo, Raúl Reyes, morre em ataque no Equador, ordenado­­ pe­­lo então ministro da Defe­­sa,­­ Juan Manuel Santos. Ma­­ru­­lan­­da morre de ataque cardíaco.­­ Alfonso Cano torna-se líder.

2011 – Alfonso Cano morre em ataque militar. Efetivo do grupo é estimado em 8 mil combatentes.

Ao apostar seu capital político num diálogo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o presidente Juan Manuel Santos entra num terreno perigoso, considerando suas pretensões – ainda não reveladas oficialmente – de disputar a reeleição em maio de 2014.

"A maior parte da população sempre foi favorável ao diálogo para a solução do conflito, mas há uma enorme desconfiança das Farc. A população é cética, acredita pouco que possa funcionar", diz Rodrigo Pardo, jornalista e ex-chanceler no governo Ernesto Samper (1994-1998).

Para Pardo, a correlação­­ de forças entre governo e guerrilha desde a última tentativa de conversa com as Farc mudou muito, com vantagem para o governo. "Há um Exército muito mais numeroso e forte, com apoio e tecnologia dos EUA e uma guerrilha encurralada geograficamente."

Ainda assim, ele vê riscos: "O risco maior é repetir erros do passado e deixar que o processo se prolongue muito no tempo e contamine o debate eleitoral de 2014", diz.

O presidente Juan Manuel Santos elencou ontem os êxitos militares de seu governo num esforço para blindar o processo das críticas sobre a piora das condições de segurança no país. "É muito mais do que tinha sido feito no passado", afirmou, contabilizando 18 chefes das Farc mortos desde 2010.

Segurança

A queda na avaliação de segurança foi um dos fatores da baixa na popularidade do mandatário colombiano, cujo primeiro sinal de alerta veio no final de junho. Santos obteve, segundo o Gallup, sua pior aprovação: 48%, ante 64% abril. Na segurança, a desaprovação cresceu de 51% para 69% no mesmo período.

Santos não revelou mais detalhes sobre as conversas com a guerrilha, que, segundo ele, não paralisarão os combates das Forças Armadas pelo país nem envolverão desmilitarização de território – dois aspectos criticados no processo fracassado de 1998.

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