
Assunção - Milhares de camponeses sem-terra paraguaios começaram a se reunir ontem em Assunção para protestar contra a suposta demora das autoridades em cumprir com suas exigências de expulsar do Paraguai milhares de colonos brasileiros. Enquanto isso, uma centena de sem-terra paraguaios bloqueou uma rodovia no departamento (estado) de San Pedro.
Os sem-terra acusam os brasileiros de comprarem ilegalmente defensivos agrícolas e de possuírem terras destinadas, no passado, à reforma agrária. Muitas vezes, os brasileiros compraram as terras de camponeses paraguaios, que revenderam as propriedades após recebê-las do governo.
A fiscal Lilian Ruiz, do departamento de San Pedro, comentou que "os camponeses paraguaios não entendem o funcionamento do Estado de direito: os agricultores de soja não podem ser expulsos e nem presos por, supostamente, contaminar o solo com defensivos agrícolas".
"Primeiro, é preciso haver uma denúncia concreta, que até o momento não temos, porque os sem-terra só falam através da imprensa; após a denúncia, o Ministério do Meio Ambiente precisa verificar se efetivamente houve contaminação. No caso de ter havido, apenas está previsto na lei um castigo administrativo, que consiste em multa", ela esclareceu.
Concentração
A Praça Italia, no centro da capital paraguaia, foi ocupada por milhares de sem-terra da coalizão Mesa Coordenadora de Organizações Camponesas (MCNOC, na sigla em espanhol). A organização, nos últimos meses, resolveu não invadir fazendas e lavouras de soja, mas orientou seus partidários a ocuparem com acampamentos terrenos em frente às propriedades.
"Pedimos com firmeza uma urgente reforma agrária e a substituição do fiscal geral do Estado e dos nove integrantes da Suprema Corte, porque eles respondem ao modelo do governo anterior, que protegeu os poderosos, se esquecendo das necessidades do povo", afirmou o líder Luis Aguayo.
Angel Villasboa, advogado de um grupo de 30 colonos paraguaios, informou que seus clientes visitaram ontem o presidente do Congresso, o senador Enrique González, para pedir o respeito à cidadania.



