
Cabul - Após três meses de eleições conturbadas em que venceu com ao menos um quarto de votos fraudados, o presidente afegão, Hamid Karzai, tomou posse ontem para um segundo mandato de cinco anos, com a promessa de introduzir reformas em sua administração, principalmente no que diz respeito à corrupção.
A expectativa chega a ser cômica, quando ainda nesta semana o país ficou na segunda pior posição do ranking mundial sobre corrupção divulgado pela ONG Transparência Internacional. "Ganhou" apenas da Somália.
Karzai vem sofrendo intensa pressão principalmente por parte dos Estados Unidos para que tome providências sérias em relação à questão. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que chegou ontem ao Afeganistão, é uma das maiores críticas da corrupção no país, e fez vários apelos a Karzai nesse sentido.
No último domingo, Hillary defendeu a criação de uma comissão anticorrupção para "punir os que se apropriaram de forma indevida das altas quantias "enviadas ao Afeganistão nos últimos oito anos, como parte do esforço de reconstrução. Segundo ela, os EUA deixaram claro ao governo de Karzai que não enviarão mais ajuda civil enquanto os ministérios afegãos não arquivarem documentos comprovando os gastos dos recursos.
"Há agora uma janela de oportunidade para que o presidente Karzai e seu governo façam um novo pacto com o seu povo e demonstrem claramente que irão apresentar resultados tangíveis, que mudem a vida de todos os que vivem nesse país magnífico, disse Hillary a funcionários da embaixada americana em Cabul, logo após sua chegada ao país.
A chegada de Hillary acontece quando o governo Obama está próximo de tomar uma decisão sobre o envio de milhares de soldados ao Afeganistão. A decisão pode ser anunciada logo após a posse de Karzai, que põe fim ao tumultuado processo eleitoral de três meses.
Posse
A cerimônia ocorreu dentro do palácio presidencial, com severas restrições de acesso. Devido ao ganho de força da insurgência da milícia Taleban no país, a segurança para a cerimônia foi reforçada em Cabul, e a presença dos jornalistas na posse de Karzai foi vetada.
Desde uma tentativa de assassinato de Karzai, em um evento público em 2008, o líder afegão tem evitado fazer aparições públicas.
No discurso de posse, Karzai falou sobre o problema da corrupção e prometeu "medidas duras e eficazes para combatê-la. "O governo do Afeganistão está comprometido em acabar com a cultura da impunidade e da violação da lei, e em levar à Justiça os envolvidos na expansão da corrupção e no abuso da propriedade pública, disse.
Karzai afirmou também que, nos próximos três anos, pretende que seu Exército leve a iniciativa nas operações militares "nas muitas áreas inseguras do país, como já faz em Cabul.







