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Stroessner nunca mais

  • Gustavo Zaracho, analista político e membro do Collectif Paraguay en Francia, e José Szwako, pós-doutorando do Centro de Estudos da Metrópole
 
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Há exatos 100 anos nascia o ditador paraguaio Alfredo Stroessner (1912-2006). No Paraguai, hoje é dia de comemoração para alguns, data de indignação para outros, mas certamente luto para todos: tanto para quem perdeu amigos e parentes perseguidos e mortos pela ditadura stronista (1954-1989) quanto para aqueles com saudade do general tornado herói nacional.

Difícil exprimir o que foram os infindáveis 35 anos sob a batuta do general. A tríade Forças Armadas-Partido Colorado-Estado foi o suporte institucional do regime e também o acesso único às suas prebendas e favores. “Para os amigos, tudo; para os tíbios, a lei; e para os inimigos, prisão ou morte” – este slogan traduz a vocação totalitária do regime. Anticomunistas e ultracatólicos, Stroessner e seu governo produziram variações do mesmo naipe: “inimigo”, “opositor” ou “antiparaguaio”. Na lógica totalitária, não estar com o general era estar contra ele e, portanto, contra o Paraguai. Por esse longo período, aos “inimigos” restou apenas a inexistência.

À diferença do que alguns imaginavam e pretendiam, o regime autoritário acabou e deu vez a alguma democracia paraguaia. A descoberta em 1992 dos “Archivos del Terror” e das atrocidades stronistas fortaleceu a luta pela memória no país. Mais recentemente, esta luta foi reforçada pelas conclusões da Comissão de Verdade e Justiça, cujo trabalho tem ajudado a tirar um sem-fim de nomes e casos da inexistência histórica.

Contudo, mais de duas décadas após o fim do regime autoritário, o stronismo não morreu. Ele vem sendo ressuscitado por grupos autodeclarados stronistas, que querem ver naquele totalitarismo um passado glorioso. À boca pequena, ouve-se a nostalgia: “no stronismo, eu era feliz e não sabia”; “antes não tinha toda essa insegurança, essa falta de vergonha”. E, frente ao aniversário de Stroessner, sua família política e biológica reivindica a expatriação do cadáver de volta ao Paraguai. Não por acaso, o golpe parlamentar que destituiu Fernando Lugo é falado nessa mesma língua: comunistas, esquerdistas, imorais e mesmo homossexuais são algumas das formas de acusação dirigidas a quem se opõe ao governo de fato. No Paraguai de hoje, há poucas razões para se comemorar e muitas razões para lutar e resistir.

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