Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Pesquisa

Suborno é problema grave do mundo em desenvolvimento, diz grupo

A exigência de propina feita por policiais e outras autoridades de serviços públicos é um problema grave do mundo em desenvolvimento e até países da União Européia (UE) como a República Tcheca e a Grécia, são palco freqüente desse tipo de prática, segundo a Transparência Internacional. A pesquisa não incluiu todos os países em desenvolvimento. O Brasil, por exemplo, não está listado no grupo da América Latina.

- A corrupção infiltrou-se na vida pública e criou raízes - disse Robin Hodess, diretora de pesquisa e política da organização não-governamental.

O relatório "Barômetro da Corrupção Global 2006'' mostrou que o suborno é mais comum na África, onde cerca de 36% dos entrevistados disseram que eles ou familiares deles realizaram esse tipo de pagamento nos últimos 12 meses.

A América Latina vem em segundo lugar, com 17% dos entrevistados afirmando que haviam subornado alguém recentemente. Dois países empataram no primeiro lugar da lista: México e Bolívia, com 28%. A Venezuela ficou com 21%.

Na Rússia e nas ex-repúblicas soviéticas, essa cifra ficou em 12%.

- Os políticos são eleitos com uma missão fundamental, a de colocar os interesses de seus cidadãos acima de seus interesses particulares - disse Hodess. - O barômetro mostra que essa confiança está sendo violada, prejudicando bastante a legitimidade das autoridades eleitas de muitos países. O processo democrático estará em perigo se esse alerta for ignorado.

Segundo a Transparência Internacional, as autoridades que mais receberam suborno foram os policiais. Na América Latina, um em cada três entrevistados que entraram em contato com policiais os subornou. O Poder Judiciário na América Latina ficou em terceiro lugar entre as instituições mais corruptas.

- As pessoas dependem da polícia para ter proteção e dos juízes e do Judiciário para que os criminosos sejam punidos. Quando esses guardiões da lei estão à venda, algumas pessoas perdem sua fé. Outras passam a fazer justiça com as próprias mãos - afirmou Huguette Labelle, presidente da ONG.

Na América Latina, as maiores propinas eram pagas para a obtenção de atendimento médico -a média desses pagamentos era de mais de 450 euros (US$ 597,84). O dinheiro dado para membros do Judiciário e do fisco vinha em segundo lugar, ficando em mais de 200 euros.

Na África, a média dos subornos pagos a policiais e juízes era de mais de 50 euros (US$ 66,43). A quantia paga por serviços públicos, o segundo tipo de corrupção mais comum na África, era bem menor, de 6 euros.

Entre os países africanos com a pior situação estavam o Marrocos e os Camarões, onde 60% e 57% dos entrevistados, respectivamente, disseram ter pagado suborno no último ano.

Albânia

Mas o país com mais corrupção do mundo não está na África, nem na América Latina e nem na ex-União Soviética. Trata-se de um dos países mais pobres da Europa, a Albânia, onde dois de em três entrevistados disseram ter pagado suborno para alguém nos últimos 12 meses, revelou a ONG.

O pior país depois da Albânia em termos de corrupção era a Romênia, que deve ingressar na União Européia em janeiro, junto com a Bulgária.

Um em cada cinco romenos disse ter pagado suborno recentemente. A incidência dessa prática na Bulgária era bem menor, cerca de 8%. A Grécia e a República Tcheca ficaram um pouco atrás da Romênia, com um índice de 17%.

Em média, a Europa ocidental e a América do Norte registravam as menores incidências de suborno, com apenas 2% dos entrevistados afirmando que pagaram algum tipo de propina no último ano.

Apesar disso, a opinião pública dos EUA, nos últimos dois anos, passou a dar maior destaque ao problema. Com exceção de Israel, os países do Oriente Médio não foram incluídos na pesquisa.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.