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Christopher Miller, recém-nomeado secretário interino de Defesa dos EUA, e Mark Esper, que foi demitido do cargo pelo presidente Trump nesta semana
Christopher Miller, recém-nomeado secretário interino de Defesa dos EUA, e Mark Esper, que foi demitido do cargo pelo presidente Trump nesta semana| Foto: Tom WILLIAMS e MANDEL NGAN

Nesta semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, despediu o secretário de Defesa Mark Esper e nomeou três pessoas leais a ele para cargos políticos do Pentágono, levando a muita especulação sobre o que teria motivado Trump a fazer as trocas nesse momento.

Uma autoridade do governo americano disse ao Washington Post na terça-feira que Trump está determinado em retirar tropas americanas de bases pelo mundo, especialmente do Afeganistão, antes de deixar a Casa Branca. "Ele vê o Pentágono como o líder da resistência à sua agenda", disse a autoridade.

Trump anunciou a demissão de Mark Esper na segunda-feira pelo Twitter. A queda de Esper era esperada desde junho, quando o então secretário de Defesa discordou publicamente de Trump em relação ao envio de militares para controlar as manifestações que ocorriam em diversas cidades americanas. O presidente indicou Christopher Miller, diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo como secretário interino; ele será a quarta pessoa a comandar o Pentágono durante o governo Trump.

No dia seguinte, Trump demitiu três pessoas de cargos influentes do Pentágono e os substituiu por aliados próximos.

Esper também atuou com líderes militares para convencer Trump a não retirar completamente as tropas americanas do Afeganistão, uma decisão anunciada pelo presidente americano, que disse que gostaria que todos os soldados voltassem aos EUA antes do próximo Natal. O plano, no entanto, ainda não foi concluído.

O Departamento de Defesa americano, que tem a obrigação de se manter fiel à constituição dos EUA e de manter seus militares distantes da política partidária, ainda pode passar por mudanças nos próximos dias. A situação tem gerado temores de um possível enfraquecimento da neutralidade política das Forças Armadas americanas.

O general Mark Milley, chefe do Estado-Maior Conjunto, falou na noite de quarta-feira, 11, na inauguração de um museu do Exército: "Não fazemos juramento a um rei ou rainha tirano ou ditador. Não fazemos juramento a um indivíduo."

Os comentários de Milley, feitos ao lado do sucessor de Esper, foram entendidos como uma mensagem de que os militares existem para defender a democracia e não devem ser usados como peões políticos. "Fazemos um juramento à Constituição", disse Milley, acrescentando que todo membro das Forças Armadas "protegerá e defenderá esse documento independentemente do preço pessoal".

Burocracia

Mudanças rápidas e radicais nas últimas 10 semanas de Trump são improváveis no Pentágono, que se orgulha de seu planejamento exaustivo. O Pentágono é uma burocracia enorme e não gira em torno de um único aspecto. Enquanto o departamento está enraizado no alicerce democrático de um poder militar controlado por civis, os membros do Estado-Maior Conjunto são poderosos assessores presidenciais, com décadas de experiência, e armados com documentos detalhando as possíveis consequências das ações de Segurança Nacional.

Até o momento, os comandantes militares não receberam novas ordens. E os principais líderes militares - incluindo Milley - estão aconselhando paciência e estabilidade. Eles estão projetando que os Estados Unidos permaneçam uma potência mundial forte e confiável, e que a situação fique estável.

A maioria está observando o Afeganistão como um possível termômetro. Trump fala há muito tempo sobre como tirar as tropas de lá, enquanto os líderes militares pedem uma retirada mais metódica, que lhes dê tempo para retirar o equipamento e aplicar pressão sobre o Talibã durante as negociações de paz. Cumprir o objetivo de retirar todas as tropas pode ser o golpe final de Trump como comandante-chefe.

Ao longo de quase quatro anos, Milley e seu antecessor, o general da marinha Joseph Dunford, conseguiram frear ou moldar os impulsos da Casa Branca em questões de guerra. Eles argumentaram com sucesso contra a retirada de todas as forças dos EUA da Síria e desaceleraram as retiradas de tropas no Afeganistão para preservar o status de negociação dos EUA com o Talibã e ficar de olho no ressurgimento de militantes do Estado Islâmico.

Milley se juntou a Esper para persuadir Trump a não usar tropas da ativa para reprimir a agitação civil. Mas em outras questões políticas, os líderes do Pentágono fizeram continência e marcharam em frente. Eles encontraram maneiras de usar o dinheiro do Departamento de Defesa para ajudar a construir o muro prometido de Trump na fronteira com o México, criaram sua tão desejada Força Espacial, contornaram a proibição explícita da bandeira confederada e se afastaram de mudar bases militares batizadas com o nome de generais confederados.

Esper também transmitiu a mensagem de Trump sobre o aumento dos gastos com defesa para os aliados da Otan, com sucesso modesto.

Novos nomes

Além de substituir Esper pelo ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, Trump instalou os leais Anthony Tata como subsecretário de política e Ezra Cohen-Watnick como subsecretário de inteligência em exercício. James Anderson, que atuava como subsecretário de política, e Joseph Kernan, que era subsecretário de inteligência, renunciaram na terça-feira.

Miller também trouxe seu próprio chefe de gabinete, Kash Patel, que estava entre o pequeno grupo de auxiliares que viajou extensivamente com Trump durante a reta final da campanha. E ele trouxe Douglas MacGregor, uma voz fervorosa pela retirada do Afeganistão, como um conselheiro sênior.

Miller falou pouco sobre seus planos. Durante suas primeiras reuniões com os principais líderes da defesa nesta semana, ele reservou um tempo para expor sua biografia - que inclui seu serviço como boina verde do Exército e uma passagem como secretário-assistente do Pentágono para operações especiais. Participou de videochamadas, incluindo sobre a pandemia, e falou com comandantes combatentes.

A inauguração do Museu Nacional do Exército dos EUA em Fort Belvoir, Virgínia, na quarta-feira, foi seu primeiro evento público, e ele o usou para falar sobre seu alistamento e orgulho no serviço militar. Ao seu lado estavam Milley, o secretário do Exército Ryan McCarthy e o chefe do Estado-Maior do Exército, general James McConville. Todos dicursaram - e o nome de Trump e a eleição não foram mencionados.

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