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Bombeiros e profissionais de resgate fazem buscas nos escombros das torres do World Trade Center após atentado, 13 de setembro, Nova York
Bombeiros e profissionais de resgate fazem buscas nos escombros das torres do World Trade Center após atentado, 13 de setembro, Nova York| Foto: EFE/EPA/BETH A. KEISER / POOL

Há vinte anos, os atentados contra alvos americanos no 11 de setembro inauguravam o século 21. Nas últimas semanas, a história ganhou um novo capítulo com a retirada caótica das tropas americanas do Afeganistão. As forças americanas deixam o país quase no mesmo estado em que estava quando entraram para buscar a Al Qaeda, responsável pelos atentados em 2001 – com o Talibã no poder.

Após o 11 de setembro, muitos se perguntavam se um atentado terrorista de grandes proporções poderia ocorrer novamente, nos EUA ou em outro país. Agora, com a retirada das tropas americanas do Afeganistão, as tensões podem aumentar novamente, e a pergunta volta a ser feita. Hoje o mundo está mais ou menos seguro contra o terrorismo do que há vinte anos?

Há preocupações de que a volta do Talibã a Cabul fortaleça o terrorismo global, tanto pela inspiração a jihadistas em outros países, quanto pela possibilidade de que o Afeganistão volte a servir de base para atividades terroristas.

Nesta semana, o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, afirmou que a Al Qaeda, que usou o Afeganistão como base para os atentados de 11/9, pode tentar se reagrupar com a ausência das forças americanas e o retorno dos talibãs. Quase todas as lideranças da Al Qaeda foram mortas ou capturadas, mas a sua ideologia extremista continua forte em outros grupos. Existe agora um número quatro vezes maior de grupos terroristas da jihad salafista na lista do governo americano do que havia vinte anos atrás, destaca Bruce Hoffman, especialista em contraterrorismo, em artigo para o Council on Foreign Relations. Além disso, células da Al Qaeda sobrevivem na Síria e em pelo menos 15 províncias afegãs.

O cientista político André Lajst, especialista em contraterrorismo, acredita que os EUA estão mais seguros hoje do que há vinte anos. Ele diz que a realização de um atentado terrorista dessa magnitude é hoje mais difícil do que era em 2001, mas não impossível. "As chances de ocorrer um atentado sempre existem. Dependem de motivações e de capacidade", disse.

Na opinião de Lajst, terroristas fundamentalistas islâmicos continuam com a mesma ideologia de 20 anos atrás, enxergando uma situação opressora, de países que querem convertê-los ou conquistar seus territórios, e que isso teria que ser resolvido pela violência. "Isso significa que eles têm as motivações para fazer atentados. Talvez mudem as estratégias".

Porém, ao mesmo tempo, houve uma grande evolução nos serviços de contraterrorismo, que conseguiram deter diversos ataques nessas duas décadas. Logos após os atentados de 2001, os EUA criaram o Departamento de Segurança Interna, responsável pela prevenção de ataques terroristas, segurança de fronteiras, imigração, entre outros. O governo americano investe em uma vasta rede de agências e entidades que atuam no contraterrorismo. Esse imenso aparato, criado como resultado do 11 de setembro, "indiscutivelmente" teve sucesso "em impedir que algo como o 11/9 ocorresse novamente", afirma Hoffman.

"Há uma troca entre agências, entre os principais serviços secretos do mundo. Isso acontece muito fortemente depois do 11 de setembro", diz Lajst, acrescentando que as tecnologias de comunicação também facilitam o monitoramento de atividades extremistas pelos serviços secretos, já que ficou mais fácil escutar conversas e descobrir a localização de suspeitos, por exemplo.

Ameaça interna

Em discurso neste sábado no local da queda do voo 93 em Shanksville, Pensilvânia, George W. Bush, presidente dos Estados Unidos na época dos atentados do 11 de setembro, alertou sobre as crescentes evidências de que o terrorismo doméstico pode representar uma ameaça aos EUA tanto quanto o terrorismo estrangeiro.

Sem mencionar especificamente a invasão do Capitólio por um grupo pró-Trump em 6 de janeiro deste ano, Bush pareceu direcionar sua condenação a esses atos, que resultaram na morte de cinco pessoas. O ex-presidente republicano traçou um paralelo entre os "extremistas violentos domésticos" e os terroristas que sequestraram os aviões e realizaram os ataques em 11 de setembro.

"Temos visto cada vez mais evidências de que os perigos ao nosso país podem surgir não apenas além de suas fronteiras mas da violência que se agrupa dentro delas", afirmou. "Há pouca sobreposição cultural entre extremistas violentos no exterior e extremistas violentos no país. Mas em seu desdém pelo pluralismo, em seu desprezo pela vida humana, em sua determinação de desonrar os símbolos nacionais, eles são filhos do mesmo espírito maligno. É nosso dever contínuo enfrentá-los."

Bruce Hoffman, analista do CFR, concorda que a ameaça terrorista aos EUA passa a incluir o extremismo no próprio país. Para ele, o desafio atual dos EUA é formular uma estratégia de contraterrorismo capaz de se defender da gama completa de ameaças terroristas, tanto externas quanto domésticas.

Nesse sentido, a Estratégia Nacional para Contraterrorismo de 2018 e Estratégia Nacional para Combater Terrorismo Doméstico, plano inédito lançado em junho deste ano, fazem uma abordagem completa para a necessidade de proteger o país.

As mudanças causadas pelo 11/9 em diversos aspectos da vida cotidiana, como na segurança de transportes, e os enormes investimentos em estratégias para impedir ataques indicam que os terroristas da Al Qaeda tiveram sucesso em deixar o mundo com mais medo.

"O atentado do 11 de setembro foi o maior ataque terrorista da história da humanidade, no sentido cru do que é o terrorismo: aterrorizar a população", avalia André Lajst. "O objetivo deles foi atingido com esse atentado".

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