Caracas (AFP) — Os venezuelanos elegem uma nova Assembléia Nacional com um polêmico sistema de votação automático e com um sistema misto de eleição por lista e nominal. A oposição tentou derrubar este sistema, mas fracassou. Na hora de votar, o eleitor deve apertar dois botões eletrônicos: um dos partidos que apresentam listas e outra onde figuram os candidatos. A seleção é visualizada na tela de um computador que emite uma cédula que deve ser depositada numa urna eleitoral. Cada eleitor tem três minutos para votar, com a possibilidade de anular ou repetir o voto.

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Ao fim da votação, as máquinas realizam a apuração e transmitem a informação a uma central. Em seguida, emitem uma ata de apuração que é assinada pelas testemunhas da seção eleitoral. Este sistema automático foi estabelecido por uma lei promulgada pelo presidente Rafael Caldera, em 1998.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) fez várias auditorias prévias no processo automático e se comprometeu na semana passada com a oposição a fazer uma outra auditoria após a votação, contando manualmente 47% das urnas para compará-las com a informação computadorizada. O sistema automatizado foi adotado na Venezuela depois de décadas de denúncias de todos os partidos sobre fraudes nas apurações manuais.

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A oposição, que desconfia do sistema automatizado e do CNE, que tem quatro dos seus cinco membros ligados ao presidente Hugo Chávez, pediu insistentemente a contagem manual de todas as cédulas. O CNE, no entanto, não aceitou o pedido, alegando que é contrário à lei. A oposição conseguiu na segunda-feira a retirada das máquinas "capta-huellas" (capta-impressões), usadas também nas últimas eleições para comparar a identidade do cidadão com o título eleitoral e com as quais o CNE assegura controlar que as pessoas não votem duas vezes ou com títulos de pessoas mortas – uma das queixas reiteradas de opositores e oficialistas.