O avião lotado de passageiros aguardava a chegada do piloto e do co-piloto. Sem demora, o primeiro passou pela porta de entrada e orientado por sua bengala foi acompanhado pela aeromoça até a cabine. Após alguns instantes o cão-guia se encarregou de conduzir o co-piloto até à cabine sob o olhar atônito dos passageiros. Sem tempo para arrependimentos nem para qualquer providência, as portas se fecharam e o avião foi sendo pilotado por duas pessoas cegas até o local da decolagem. Em alta velocidade e já no final da pista, com os gritos de socorro, o Boeing decolou com perfeição. O piloto confidenciou ao co-piloto que para o êxito daquela decolagem nem os passageiros poderiam ser mudos nem eles poderiam ser surdos.

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Ouvi essa estória no passado contada por um conferencista e me a utilizo para compará-la com a atual e real viagem da aeronave denominada Brasil, a qual era para ser a viagem dos sonhos de muitos brasileiros, e, dentre os passageiros ilustres figuravam a liberdade, a saúde e a moralidade pública. Sem demora e sem convite, para início da instabilidade e fim da tranqüilidade, surgiu a violência de mãos dadas com a omissão e se dirigiram até a cabine. Logo a seguir, sob olhares indignados da grande maioria dos passageiros, apareceu a doença desengonçada por estar desacompanhada da fugitiva CPMF e a corrupção sorridente por estar apaixonada e abraçada com a impunidade, as quais, com a maior cara de pau, sem licença ou permissão, se infiltraram na tripulação.

Os fatos do cotidiano demonstram que a credibilidade das instituições públicas está para a retidão dos homens públicos tanto quanto a experiência do comandante está para a aeronáutica. Os alicerces dos poderes públicos se tornam vulneráveis diante da corrupção de seus agentes tanto quanto a aviação se torna vulnerável diante de uma bengala, um cão-guia, pássaro na turbina, ruído estranho no motor, sinal luminoso e sonoro na cabine ou a frase "vai cair" dita por um daqueles passageiros que gosta de ver o circo pegar fogo.

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Para que cheguemos incólumes ao destino que sonhamos, ao contrário de o piloto não poder ser surdo nem os passageiros serem mudos, já que todos são cidadãos de direitos e obrigações iguais, urge a erradicação dos tripulantes que tornarão a viagem temerária e sem retorno.