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A pandemia que acometeu o mundo nos últimos meses trouxe, sem dúvida, uma nova perspectiva em relação à vida das pessoas. De repente, o ato de respirar se tornou complexo, perigoso e novos comportamentos apareceram. As perguntas que ficam são de cunho pessoal, profissional ou no caso das crianças, educacional: Quem seremos quando tudo isso passar? Como ficarão os planos? Qual o melhor caminho para retomada?

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Ao questionar pessoas de como estão e também de que forma estão lidando com a privação da liberdade, as respostas são em grande parte a mesma: tenho dias bons, e outros nem tanto. No que tange o tema educacional, especificamente o Ensino Não Presencial, essa mutabilidade repentina na maneira de ensinar acometeu não somente a equipe pedagógica, como também os alunos. Ao analisarmos desde o começo da suspensão das aulas, muitos foram os fatores aprimorados e a forma com que as escolas escolheram para ensinar também. Quase como uma reinvenção diária desta nova e provisória (será?) prática.

Nisso tudo temos em comum a ferramenta utilizada para isso, na maioria dos casos - a Internet e no caso da educação pública, a televisão aberta. Treinamentos foram feitos em 72 horas, aplicativos baixados, tutoriais esmiuçados e um objetivo: manter o vínculo pedagógico do aluno e seu aprendizado sempre na medida do possível.

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Sim, porque a escola teve que lidar com as possibilidades e necessidades de cada um. E foi neste ponto que começamos a perceber o que já sabíamos: que ela é muito mais do que uma mera aplicadora de conteúdos obrigatórios. Não estamos aqui para discutir a competência do (a) professor (a) ou qual metodologia é melhor aplicada. Mas sim para constatar que hoje, mais do que nunca, se o aluno não está aprendendo o bastante ou rendendo como de costume é porque em todo esse contexto há uma relação fundamental que não podemos ignorar: a deste ser com seu professor, colegas, pedagogos e todos demais agentes de uma escola.

Podemos ir mais longe. Quando construímos a ideia de que as relações emocionais e os vínculos afetivos são parte do processo de ensino aprendizagem, me arrisco a dizer que para a crianças e adolescentes ele é indispensável. Por mais esforço que possamos ter ao tentar engajar os alunos na aula online não conseguiremos a mesma efetividade porque a escola é viva e ela acontece no dia a dia. Na conversa de canto de sala com a melhor amiga, ou no encontro marcado no lixo para apontar o lápis.

Não há aprendizado sem poder ensaiar uma apresentação de Shakespeare para a aula de Língua Portuguesa, ou ver o professor de História caracterizado de Napoleão Bonaparte e mostrar aos seus alunos a importância da Revolução Francesa. E poderia aqui continuar a discorrer exemplos que nos farão refletir sobre essa escola, da qual uma tela de computador nunca saberá do que estou falando.

Aproveitando o ensejo das habilidades que o professor utiliza para ensinar, mais uma vez precisamos falar dele. Sim, porque a Internet nem sempre colabora, mas ele permaneceu disposto a ensinar. Disposto apesar de todas as intercorrências com essa adaptação. Persistente mesmo com as distrações dos alunos. Firme mesmo com a relutância de alguns pais em aceitar essa nova realidade que cerca a todos nós.

E apesar de tudo ele ficou ali. Gravou e planejou suas aulas, tirou dúvidas e segue assim, todos os dias dando o seu melhor: uns dias bem, e outros nem tanto. Até o dia em que seja possível para a escola que suas paredes voltem a respirar.

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Carolina Paschoal, pedagoga e diretora da Escola Pedro Apóstolo.