A flotilha para furar o bloqueio de Gaza foi planejada, in­­cluin­­do-se algumas não tão inocentes instituições hu­­manitárias, para que o resultado servisse a dar mais tempo ao Irã em sua corrida nuclear

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Há uma tendência generalizada em inferir acusações das mais absurdas e imorais a Israel, um país como qualquer outro, mas a quem se costuma aplicar um duplo padrão de exigências. Nenhuma outra nação tem sua existência contestada e ameaçada fisicamente como Israel nos dias de hoje. Quando ocorre um "incidente" como o caso recente da embarcação turca, pretensamente conduzida por pacifistas numa missão humanitária, e que terminou em lamentáveis mortes e feridos, o coro dos que gritam impropérios ao país dos judeus, recheados de inverdades, maledicências, comparações vis e distorções descabidas, aumenta e se esparrama pela mídia, oferecendo simpatias e apoio à causa dos aparentemente oprimidos.

Muitos dos que leem ou ouvem esse tipo de cantilena superficial, na realidade, mais propaganda política do que uma abordagem sincera, séria, profunda e analítica de ambos os lados da questão – invariavelmente trata-se sempre o enfoque de forma unilateral – por desconhecimento ou desinformação, e diante da omissão deliberada dos fatos, acabam caindo nessa armadilha ideológica e cooptados a engrossar os injustos clamores contra o único Estado democrático no Oriente Médio.

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Há até determinados articulistas que chegam ao infame, tentando comparar, por exemplo, a Faixa de Gaza ao Gueto de Varsóvia, ou a um campo de concentração. Afirmar ou repetir essa ignomínia, pois ofende a memória dos jovens combatentes que se tornaram símbolo da luta contra o assassínio de 6 milhões de judeus no Holocausto pela sanha racista do nazismo, é de uma torpeza revoltante, própria daqueles que cultuam vilanias e procuram meios para exaltações abjetas ao terrorismo.

Costuma-se, no caso específico de Gaza, omitir fatos concretos, às vezes substituindo-os por falsas premissas. Uma delas é a de que o grupo que atualmente domina Gaza, o movimento terrorista Hamas, assumiu o governo porque saiu vitorioso das eleições palestinas de 2006. Em que pese isso ser apenas uma meia verdade – o grupo obteve maioria parlamentar, mas desde então não houve mais nenhuma eleição – a ascensão ao poder se deu de forma violenta em 2007, através de um sangrento golpe de Estado contra a administração do Fatah, no qual foram chacinados centenas de funcionários da então legítima administração palestina, de quem os golpistas eram adversários justamente por causa dos entendimentos com Israel para a paz e instituição do Estado palestino. Outra premissa dissimulada é descrever o Hamas ou o terrorismo palestino como tendo origens no desespero e na humilhação provocada pelos israelenses.

Trata-se de um grupo fundamentalista religioso islâmico, que adotou no seu contexto um misto de ideologia do terror com nítida doutrinação nazista em relação aos judeus e, em cujos estatutos de fundação, estão bem claros os objetivos: eliminar o Estado de Israel e o povo judeu, para então estabelecer uma nação islâmica. Não fala em convivência ou em dois Estados vivendo lado a lado.

O Hamas recebe apoio financeiro do Irã, assim como armamento para seu objetivo, e é o responsável por ter lançado cerca de 10 mil mísseis durante oito anos seguidos contra a população civil das cidades do sul de Israel. A tristemente famosa "flotilha da liberdade" foi uma mancomunação entre o Hamas e o governo turco que, muito embora mantenha relações diplomáticas com Israel tem se aproximado bastante do Irã.

A flotilha para furar o bloqueio de Gaza foi planejada previamente, incluindo-se algumas não tão inocentes instituições humanitárias, para que o resultado, como de fato ocorreu, servisse única e exclusivamente a dar mais tempo ao Irã em sua corrida nuclear para obter a bomba atômica. Com o Conselho de Segurança da ONU discutindo a reação de Israel, legítima dentro do direito internacional, diga-se de passagem, foi adiada, mais uma vez, a reunião do CS para debater a nova rodada de sanções ao regime iraniano, agora com o apoio da Rússia e da China.

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Dados do Centro de Informação e Documentação de Israel para a América Latina (Cidpal) mostram cabalmente que a ajuda humanitária de Israel à Faixa de Gaza, apesar dos ataques do Hamas, que continuam, desmonta a falácia de que a população daquela área viva na miséria, esfomeada e em crise humanitária. A transferência de alimentos perecíveis e de gêneros de primeira necessidade é rea­­lizada através de uma centena de caminhões, em média, por dia, pelas passagens terrestres na fronteira de Israel com Gaza.

A ajuda humanitária de Israel à população de Gaza se estende ainda à assistência médica com tratamento em hospitais israelenses ou em hospitais da Jordânia. O material de construção, embora restrito, para evitar a fabricação de depósitos e plataformas lançadoras de mísseis e foguetes, também ingressa em Gaza.

Ao contrário do que se propala, Israel permite sim aos habitantes de Gaza e visitantes as viagens entre Gaza e Israel, e à Margem Oci­­dental, inclusive ao exterior, para tratamento médico, peregrinação religiosa, viagens de negócios, comércio, atividades diplomáticas, atividades esportivas em campeonatos internacionais, e permissões para estudantes realizarem cursos no exterior.

Manoel Knopfholz, professor universitário, é advogado e presidente da Federação Israelita do Paraná.