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A virilidade, agora, é um mal a ser curado

Por causa das altas taxas de suicídio masculinas, a American Psychological Association decidiu que a virilidade é um problema a ser curado

  • Roberto Marchesini
  • La Nuova Bussola Quotidiana
 | Marco Bertorello/AFP
Marco Bertorello/AFP
 
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A American Psychological Association (APA) decidiu que a virilidade é um problema a ser curado. Um artigo publicado na prestigiosa revista da mais importante associação profissional de psicólogos no mundo assegura que “Treze anos de trabalho, compreendendo mais de 40 anos de pesquisa, demonstram que a masculinidade tradicional é psicologicamente danosa”. E assim, em 13 anos de trabalho, os psicólogos descobriram que os homens viris não vão de bom grado ao médico e que cedem a comportamentos perigosos: fumar, beber e... “evitar as verduras” (sic). Parece que ouvimos a mamãe: “Coma a salada! Faz bem, é para a saúde! Se não comer salada, mando-lhe ao psicólogo!” Um momento: de fato o artigo sobre a periculosidade da virilidade tradicional é escrito... por uma mulher – casualmente empenhada em apoiar os direitos LGBT, mas é certamente uma coincidência. Não só isso: afirmaram também que “os homens são frequentemente relutantes em admitir vulnerabilidades”. Se soubessem que há quem encoraje esse comportamento...

O dado utilizado para validar a hipótese de que a virilidade faz mal é tirado das taxas de suicídio. Até a puberdade não há diferença entre homens e mulheres; depois, a taxa de suicídio entre os homens distancia-se enormemente da taxa das mulheres. Logo, a virilidade mata. O assunto, no entanto, é sério e merece alguma reflexão ulterior. Primeiramente, nota-se que a taxa de suicídio entre os homens mostra uma crescente na terceira idade. Se fosse verdade que é a virilidade – com sua carga de expectativas, entre as quais o trabalho – que mata, os homens deveriam parar de se suicidar ao parar de trabalhar. Em vez disso, parece antes o oposto: que o papel estereotipado do homem trabalhador faz bem aos homens, que lhes dá um motivo para viver. É o grande ensinamento do psicólogo judeu Viktor Frankl: o ser humano, para viver, precisa de um significado, de um sentido. E se o trabalho fosse realmente um dos significados da vida do homem, e não uma simples construção social?

O papel estereotipado do homem trabalhador faz bem aos homens

Em segundo lugar, se a hipótese fosse verdadeira, esperaríamos que a taxa de suicídio entre os homens diminuísse com o tempo. Os últimos decênios, de fato, colocaram em discussão os “estereótipos de gênero” e há uma crescente pressão midiática e social para que os homens tomem cuidado com sua saúde, expressem seus sentimentos e comam salada. Mas não: desde os anos 1950 a taxa de suicídio entre os homens apresenta crescimento constante. Parece que, com a destruição dos estereótipos de gênero, o homem esteja mais inclinado ao suicídio.

Podemos avançar nas hipóteses? Dissemos que o ser humano (homem ou mulher) precisa de um significado na vida; e que, talvez, o trabalho dá sentido à vida do homem. Poderia ser assim também com a capacidade de manter a família e de prover o seu sustento? Parece que sim. Observemos este gráfico: indica a progressão do salário dos homens nos EUA nos últimos 30 anos. Bastante desolador, de fato. Confrontemo-lo com este outro, que se refere à progressão do salário das mulheres. Seguramente, é muito bom que o salário das mulheres tenha aumentado nos últimos decênios; seria ainda melhor, no entanto, que também fosse aumentado o dos homens. Mas não. E se este fator tivesse contribuído para o aumento da taxa de suicídio entre os homens? E se o politicamente correto e as batalhas pela “igualdade” de gênero tivessem favorecido as mulheres independentemente do andamento da economia real – e, sobretudo, em detrimento dos homens? E se a nossa sociedade ainda tivesse tolhido do homem um outro motivo para viver, a tarefa de prover as necessidades da família? Não há traços dessas reflexões no artigo da APA.

Leia também: A morte do pai e a morte da pátria (artigo de Rafael Salvi, publicado em 12 de agosto de 2018)

Leia também: O que há por trás da ideologia de gênero (artigo de João Luiz Agner Regiani, publicado em 26 de dezembro de 2017)

O remédio proposto ao mal-estar dos homens – mal-estar que faz sentido atribuir ao gender e ao politicamente correto – é homeopático: mais gender, mais politicamente correto. O artigo, de fato, apresenta um novo documento da APA: as Diretrizes para o trabalho clínico com meninos e homens . Quer uma amostra? Eis a primeira: “Os psicólogos se esforçam para reconhecer que as masculinidades (sic) são construídas com base em normas sociais, culturais e contextuais”. E se não fosse assim? E se o trabalho e a capacidade de manter a família não fossem “baseadas em normas sociais, culturais e contextuais”, mas em uma tarefa escrita na essência da virilidade, sem a qual os homens se sentem inúteis? Eis a terceira: “Os psicólogos compreendem o impacto do poder, do privilégio e do sexismo sobre o desenvolvimento dos meninos e dos homens e sobre suas relações com os outros”. Creio que não precise de comentário. A quinta? “Os psicólogos se esforçam para encorajar o envolvimento positivo do pai e de relações familiares sãs”. Sim, porque – como quer a vulgata esquerdista – os homens não são bons pais, desinteressam-se pelas crianças: passam o tempo a matar, a bater nas mulheres, a embriagar-se e a fugir da salada. E, no entanto, o artigo de apresentação das diretrizes diz claramente: “os homens amam tomar conta dos próprios filhos tanto quanto as mulheres”! E agora? A ideia de que os homens não são bons pais não será, talvez, um estereótipo de gênero? Evidentemente há estereótipos e estereótipos: alguns caem bem, outros não...

Leia também: Os homens falam demais? (artigo de Ana Caroline Campagnolo, publicado em 9 de janeiro de 2019)

Leia também: Liberdade para psicólogos e pacientes (editorial de 4 de fevereiro de 2018)

Concluo com uma observação. Notem que estas são “diretrizes”, ou seja, indicações pelas quais o comportamento clínico do profissional é julgado apropriado, idôneo, competente. Isso significa que, se um psicólogo quer ser um bom psicólogo, sério e profissional, é obrigado a cumprir essas diretrizes. Desse modo se torna um (complacente) instrumento a serviço da Revolução. Algum dia uma boa alma escreverá uma história séria da psicologia, e colocará em evidência que a psicologia contemporânea não é outra coisa senão uma arma na guerra cultural que o mundo está combatendo contra o Logos.

Roberto Marchesini é psicólogo e psicoterapeuta, autor de “La crisi della virilità”, “Manuale di sopravvivenza per fidanzati e giovani sposi” e “Pedofilia: Una battaglia che la Chiesa sta vincendo”. Tradução: Rafael Salvi.
© 2018 La Nuova Bussola Quotidiana. Publicado com permissão. Original em italiano.

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