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Opinião 1

As cidades e o futuro

  • PorZulma Schussel
  • 29/07/2012 21:02

A mudança do clima se impõe como um tema recorrente na mídia e também entre pesquisadores de diversas áreas disciplinares. O contínuo crescimento da população urbana, que concentra mais de 50% da população mundial, ratifica essas preocupações, uma vez que as cidades, ao mesmo tempo em que sofrem os efeitos desse fenômeno, têm sido responsabilizadas pela amplitude das suas consequências. Em 2011, o UN-Habitat publicou o documento Global Report on Human Settlements 2011: Cities and Climate Change, que identifica os principais impactos já ocorridos.

O primeiro deles é a elevação do nível dos oceanos: a média de elevação eve um incremento entre 1993 e 2003, de 1,8 mm para 3,1 mm por ano. As maiores elevações ocorreram na região do Pacífico Central, no nordeste do Oceano Índico e ao longo da Costa Oeste dos Estados Unidos, no Oceano Atlântico. A continuidade desse processo terá como consequência direta o desaparecimento de áreas urbanizadas e cidades.

Outro impacto é a frequência de ciclones tropicais, tempestades com velocidade dos ventos superior a 118 km/h. Observa-se que, entre 1981 e 2006, o número de ocorrências de ciclones tropicais aumentou muito, assim como o de furacões nas categorias mais altas (4 e 5). O impacto desses eventos nas cidades é de destruição, afetando a infraestrutura de saneamento e de energia, com graves prejuízos materiais e humanos para as municipalidades.

Chuvas intensas, com fortes precipitações, ocasionam deslizamentos de terra e inundações que estão acontecendo com frequência em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. As secas, que algumas regiões já enfrentavam, também tiveram um aumento de duração, ocorrendo associadas às ondas de calor em várias regiões do mundo, nas quais a população não se encontra adaptada a altas temperaturas, gerando muitos óbitos, principalmente entre a população mais idosa.

Alguns desses fenômenos não são inevitáveis e podem ter sua escala reduzida a partir de uma gestão urbana voltada para a sustentabilidade, entendida em todas as suas dimensões: social, econômica, ecológica, espacial e cultural.

Dessas dimensões, a sustentabilidade espacial é um dos grandes desafios da cidade contemporânea, uma vez que o zoneamento do uso e da ocupação do solo urbano impacta diretamente todas as atividades da cidade. Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, a falta de planejamento urbano adequado e fiscalização efetiva gera, como consequência, as ocupações irregulares de risco – em várzeas de rios e morros, que resultam em enchentes e desmoronamentos, causando tragédias que poderiam ser evitadas.

Ações como o controle da impermeabilização do solo em áreas mais adensadas, a retirada da população que vive em áreas de risco ambiental, a produção de habitações de interesse social, e a manutenção de uma arborização pública adequada contribuem diretamente para a qualidade de vida nas cidades. Mas o importante é ressaltar que o futuro pode ser bem melhor se compreendermos a urgência em restabelecer a convivência solidária nas cidades e a importância da proatividade sustentável de cada cidadão – principalmente daqueles que se dedicam à gestão desses espaços tão atraentes e ao mesmo tempo tão frágeis.

Zulma Schussel, arquiteta e urbanista, é professora do curso de Arquitetura e Urbanismo e pesquisadora do programa de pós-graduação em Gestão Urbana da PUCPR.

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