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Inadimplência Paraná
Imagem ilustrativa.| Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas

A inflação atual é uma questão sistêmica de mercado que tem afetado o mundo todo. Em maio, o Comitê de Política Monetária (Copom) reajustou a taxa Selic para 12,75% ao ano, valor mais alto em 5 anos. A última vez que a taxa chegou a esse patamar foi em 2017. Nos Estados Unidos, a história não é diferente. A taxa de juros no país está entre 0,75% e 1%, maior alta em 22 anos. O último aumento desse porte aconteceu em 2000.

Mas o que de fato contribui para o aumento das taxas de juros em todo mundo? Em linhas gerais, por um lado é um processo pós-pandemia, cuja retomada da atividade econômica e da demanda agregada de alguns países pressionou a oferta de bens e serviços e, por conseguinte, seus preços. De outro lado, houve também uma crise energética de forma sistêmica mundial pressionando os custos de produção.

Não bastassem esses fatores, a Rússia, segundo maior exportador de petróleo do mundo, não menos importante em gás natural e também em fertilizantes agrícolas, em guerra com a Ucrânia, por sua vez, importantíssima região produtora de trigo e de milho, colocam ainda mais pressão inflacionária no mundo.

Tudo isso culmina numa cesta de produtos agrícolas mais cara e num problema inflacionário de ordem mundial. O Brasil, por exemplo, grande celeiro agrícola do mundo depende em larga medida da importação de fertilizantes agrícolas da Rússia. Posto isto, para tentar frear a inflação, no Brasil a Selic cresce a cada reunião do Copom do Banco Central, que se reúne a cada 45 dias para definir a taxa básica de juros do país. Nos últimos dez encontros houve aumentos na Selic, saindo do patamar de 2% ao ano para os atuais 12,75% num prazo de pouco mais de um ano. Com isso, o consumidor deve ter cautela, já que se endividar em tempos de alta de juros é ainda pior.

A lógica não é tão complicada: com a inflação alta, o Banco Central aumenta a taxa básica de juros da economia, a Selic, que influencia nas demais taxas, tais como a de empréstimos e financiamentos. Dessa forma, quanto mais alta for a taxa básica de juros da economia, mais caro será o acesso ao crédito, ao dinheiro. Assim, diminui-se a liquidez da economia, isto é, haverá menos dinheiro em circulação, o que diminuirá a demanda. A oferta se ajusta à demanda, a um novo ponto de equilíbrio a preços mais baixos, diminuindo o processo inflacionário.

O processo inflacionário penaliza de forma voraz sempre a camada social de mais baixa renda. A camada social de renda mais elevada, detentora de patrimônio financeiro, pode se utilizar dos mercados financeiro e de capitais para se proteger da inflação e até ganhar dinheiro com ela. Há estratégias de investimentos que remuneram os recursos financeiros a taxas crescentes, a partir dos aumentos da taxa Selic. Outros investimentos, inclusive, são atrelados à correção monetária, seja lá qual for o processo inflacionário do período, adicionando ainda uma taxa livre de juros.

Por outro lado, as dívidas de empréstimos atreladas à taxa Selic tendem a sofrer aumentos em mesma magnitude. Neste aspecto, é preciso sempre evitar a inadimplência, ainda mais em períodos de aumento dos juros.

Para a próxima reunião do Copom, há a expectativa de mercado por mais um aumento de 0,5%, alcançando a Selic o patamar de 13,25% ao ano. Daí em diante, espera-se uma estabilidade na taxa básica próxima a este patamar ou algo que se equivalha para, em seguida, iniciar um processo de quedas graduais para o restante de 2022 e ao longo de 2023. A expectativa, portanto, é que alta na inflação desacelere e a economia se estabilize em níveis mais confortáveis de inflação abaixo dos dois dígitos atuais.

Carlos Lopes, mestre em Economia, é assessor de investimentos da Aspen.

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