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Escrevo este artigo pouco antes dos 15 dias mais importantes dos últimos anos para os caminhos de países importantíssimos no mundo geopolítico. Entre 25 de outubro e 3 de novembro, o mundo assistirá e acompanhará com muito interesse eleições fundamentais em diversos países, entre eles Brasil, Sérvia, Bulgária, Israel, África do Sul, Filipinas e Estados Unidos, entre outros menos conhecidos, como Samoa, Guam, Ilhas Marianas etc.
O resultado das urnas poderá impor mudanças substanciais tanto econômicas como sociais e novos alinhamentos políticos. Neste artigo, me concentrarei em alguns que, a meu ver, podem passar pelas mudanças mais radicais. Iniciaremos pelo Brasil.
Após um primeiro turno com 13 candidatos, os dois principais contendores receberam 92,19% dos votos válidos, indicando uma polarização extrema entre as bem definidas linhas ideológicas: a esquerda e a direita. Em 25/10, será definido se o Brasil, politicamente, seguirá sendo um país alinhado ao terceiro mundo ou se voltará a alinhar-se com o primeiro.
Caso vença Flávio Bolsonaro, as mudanças deverão ser profundas nas áreas política, econômica e social, bem como na forma de distribuição de recursos. Por outro lado, caso vença o candidato Luiz Inácio Lula da Silva, seu governo enfrentará um Congresso hostil, já que, pela primeira vez em todos os governos de seu partido, o governo terá minoria no Congresso, mesmo com coligação e cooptação.
Já estamos vendo as mudanças radicais ocorridas na América Latina, onde Argentina, Chile, Peru, Colômbia e Paraguai passaram a ter governos conservadores, em oposição aos governos de esquerda que os antecederam
As eleições na Sérvia ocorrem após contínuas e violentas manifestações e definirão um dos assuntos que mais interessam à União Europeia: volta o governo que acaba de se demitir – e, com ele, o alinhamento econômico com a China e a dependência dos laços com a Rússia – ou assume um novo governo, mais alinhado com a política da União Europeia? Haverá real diminuição do autoritarismo e da corrupção, condições necessárias (mas não suficientes) para o país ser aceito no seio da Comunidade Europeia?
A Bulgária, o país mais pobre da União Europeia, passará por sua nona eleição nos últimos cinco anos. As questões econômicas, o custo de vida, a corrupção e a linha política são os temas principais. Há profunda contradição entre as correntes que buscam maior alinhamento com a Europa, visando à entrada na Zona do Euro e ao apoio à Ucrânia, e as que advogam uma linha pró-Moscou e o afastamento do alinhamento com a Ucrânia.
As eleições que geram o maior interesse mundial ocorrerão em Israel. A instabilidade no Oriente Médio, a sobrevivência e a ampliação dos Acordos de Abraão, as guerras contra o Irã e os houthis no Iêmen, a questão palestina, a profunda queda da imagem de Israel entre a juventude europeia e americana e o vertiginoso crescimento do antissemitismo são assuntos que fazem com que os olhos do mundo se voltem para essas eleições.
Quatorze partidos políticos disputam essas eleições, distribuídos em quatro grandes grupos: a atual coalizão de direita, com cinco partidos, que inclui a centro-direita, os partidos ultraortodoxos e a extrema-direita, de um lado; a principal linha opositora, com quatro partidos, que vai da extrema-esquerda, passando pelo centro e chegando à centro-direita. Há ainda os partidos árabes, que geralmente não aceitam ser parte de qualquer governo, e três partidos independentes que não definiram claramente seu alinhamento.
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O Parlamento de Israel é unicameral, com 120 cadeiras, sendo necessários 61 parlamentares para constituir o governo. As pesquisas de opinião mostram que nenhuma das duas principais coalizões conseguirá 61 cadeiras. Nas eleições passadas, foram necessárias cinco rodadas de votação até que a direita conseguisse formar o governo.
As principais questões em Israel, no momento, são a demanda popular por uma CPI que analise as falhas da monstruosa invasão do Hamas em 2023, o recrutamento dos ultrarreligiosos para o Exército, os processos judiciais enfrentados por Bibi Netanyahu e o custo de vida. Em Israel, não se vota em indivíduos, mas em partidos políticos. Assim, sem 61 parlamentares, a formação de governo só ocorrerá caso partidos de fora da coalizão se disponham a apoiar a indicação de algum nome para primeiro-ministro.
Finalmente, cabe analisar as eleições midterm nos Estados Unidos. Nelas entram em disputa todas as 435 cadeiras na Câmara, 35 cadeiras no Senado e 36 governos estaduais (entre os 50 estados), bem como prefeituras e assembleias legislativas em diversos estados da Federação. O controle do Senado e da Câmara são as principais preocupações do presidente. Questões sobre política externa, imigração, mercado de trabalho, conflitos armados e custo de vida são as mais prementes e determinantes para avaliar o sentimento em relação às ações do governo.
Os resultados destas eleições (e também os da África do Sul e das Filipinas) definirão um mundo que poderá ser bastante diferente daquele que hoje conhecemos. Já estamos vendo as mudanças radicais ocorridas na América Latina, onde Argentina, Chile, Peru, Colômbia e Paraguai passaram a ter governos conservadores, em oposição aos governos de esquerda que os antecederam. Essas mudanças refletem uma frustração popular com os chamados “ideais progressistas”, que não conseguiram realizar o “nirvana” prometido. Em poucos dias, saberemos como será nosso novo mundo.
Marcos L. Susskind é ativista comunitário, palestrante e guia de turismo em Israel.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos



