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Sínteses – Os Correios devem ser privatizados?

Mudar para crescer

  • PorLucas Dezordi
  • 25/02/2020 09:00
Mudar para crescer
| Foto: Felipe Lima

Nos últimos anos, as transações econômicas via internet ganharam velocidade e intensidade. Para termos uma ideia, os relatórios sobre e-commerce da Ebit/Nielsen apontaram um crescimento de 12% no primeiro semestre de 2019 em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a uma receita de R$ 26,4 bilhões. Cada vez mais, os brasileiros buscam nas compras on-line presentear seus pais, filhos, companheiros e amigos. Estamos observando uma diversificação cada vez maior de produtos nesse segmento e a entrega final dos produtos e pacotes deve ser ágil e precisa.

Entretanto, a atuação dos Correios no comércio virtual caiu quase 20% nos últimos seis anos, como aponta estudo conduzido pela Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm). A participação da estatal passou de 81%, em 2013, para 62,5% em 2019. Em contrapartida, no mesmo período, a participação das transportadoras privadas no comércio eletrônico saltou de 15% para 33,4%.

A dificuldade dos Correios em ampliar sua competitividade e eficiência nos serviços, frente ao crescimento das transportadoras privadas, é um importante argumento para a privatização desse segmento. Contudo, buscando um modelo de desestatização que sustente a concorrência. Para que isso aconteça, é preciso que a formatação da abertura da empresa não aconteça de forma integral, ou seja, saia do monopólio estatal para se tornar um monopólio privado. Logo, a divisão dessa oferta, permitindo que várias empresas tenham a possibilidade de atuação, se mostra um caminho sensato. Dividir os Correios por áreas de atuação, regiões etc. pode ser uma alternativa.

Os recentes escândalos envolvendo corrupção nos Correios e sua gestão ineficiente são elementos que favorecem a privatização. Comandar a estatal, além do prejuízo financeiro, enfraqueceu a imagem do Estado, que foi carimbado, mais uma vez, como administrador ineficiente. E está na gestão o maior benefício da entrada da iniciativa privada. O comando dos serviços de postagens gerido por empresas profissionais, que buscam eficiência e qualidade, tende a beneficiar todos os usuários do serviço.

Muitos governos estrangeiros já passaram por esse processo de desestatização e estão satisfeitos com as mudanças. Dos países integrantes da União Postal Universal, que reúne 192 nações, 56 renunciaram às empresas públicas para deixá-las a cargo da iniciativa privada. Na lista, temos a Alemanha, que fez a transição gradual. Em 1995, abriu parte do processo, ficando com o monopólio de envio de cartas até 50 gramas, mas, em 2007, repassou tudo para a gestão privada. Portugal acabou com o monopólio em 2014.

Além da venda direta da empresa – seja ela de forma integral ou em partes –, outra alternativa para a diminuição da participação do Estado é a abertura de mercado. Neste formato, a empresa passa a ser mista, podendo abrir capital para venda de ações e, assim, ter uma fonte extra de arrecadação.

O fato é que os Correios precisam de mudanças para crescer e as opções do mercado devem fazer parte desse processo. A resposta deve partir dos estudos de viabilidade. Existem muitos caminhos para aliviar o governo, impulsionar o crescimento e entregar mais qualidade aos usuários. Que prevaleça a decisão técnica e consciente dos governantes.

Lucas Lautert Dezordi, doutor em Economia, é sócio da Valuup Consultoria, economista-chefe da Trivèlla M3 Investimentos e professor da Universidade Positivo.

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Comentários [ 4 ]

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    Orlandino Mariussi

    ± 0 minutos

    Os governos NÃO tem capacidade para serem empresário, as estatais servem tão somente para os governantes apropriarem-se dos recursos públicos! PRIVATIZAR TODAS!

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  • G

    Guilherme

    ± 59 minutos

    O correio se tornou um elefante pesado e lento

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  • M

    MICHAEL GUSTAV ADOLF MULL

    ± 2 horas

    Onde eu moro , no centro de Barra Velha - SC , cidade com cerca de 30.000 habitantes , não vejo carteiro pelo prazo de 4 semanas.... Mande um documento via DHL ou Fedex , ou mercadoria pela Amazon , chega em , no máximo , 3 dias. A não ser que opte pelo Sedex. Tem algo terrívelmente errado com nosso ex orgulho dos Correios.

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  • D

    Dioney Ferreira Dias

    ± 3 horas

    Os Correios precisa de modernizar para sobreviver. E não adianta: enquanto a empresa for pública, boa gestão não terá. O Estado não sabe administrar. Seja pela mentalidade brasileira, seja pelas indicações políticas etc. Privatiza logo isso e abra o mercado à competição. A competição fez os serviços financeiros darem sua maior eficiência e inovação. Nubank e Digio revolucionou a forma como lidamos com nosso dinheiro, tarifas e anuidade de cartão.

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