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Dia 22 de abril, o Dia da Terra, celebrado, pela primeira vez, em 1970, nos Estados Unidos. Em 2026, os festejos abrem espaço no mundo inteiro na busca de tentar discutir, de forma prática e acessível, como a agenda ambiental poderia estar ainda mais conectada à economia real. Mais do que um debate institucional sobre meio ambiente, o tema hoje conversa com eficiência operacional: cadeia produtiva, inovação, investimentos e hábitos de consumo.
A data foi institucionalizada levando em conta: a) protestos contra a degradação ambiental, a poluição atmosférica, contaminação de rios e derramamentos de óleo; b) criar um fórum educacional para despertar a população sobre a necessidade de proteger o planeta; c) incentivar mudanças de comportamento e a adoção de práticas sustentáveis para preservar o meio ambiente para gerações futuras.
Hoje, a data é celebrada mundialmente como um alerta contra as mudanças climáticas, no qual engajam-se, conforme estimativa do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), mais de um bilhão de pessoas. Em 2009, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução reconhecendo formalmente o Dia Internacional da Mãe Terra.
Em 2016, por meio do Acordo de Paris, a organização articulou compromisso das nações em limitar o aumento da temperatura global em até 2 ºC em relação aos níveis pré-industriais e fortalecer sua capacidade de mitigar os impactos negativos das mudanças climáticas. Na verdade, inoperante até os dias atuais, muito embora renovado COP após COP, inclusive na última, a famosa COP 30, a COP dos incêndios e dos tumultos, realizada em novembro de 2025 em Belém (PA), que gerou o “Pacote de Belém”, aprovado por 195 países.
Em relação ao Brasil, em que grau o país evoluiu na agenda ambiental conciliada às idiossincrasias geopolíticas, às particularidades socioeconômicas de suas regiões?
O acordo, mais uma vez, focou em ampliar o financiamento climático (triplicar os recursos, jamais liberados), criar o (ficcional) Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFF), para remunerar florestas em pé e reconhecer direitos de comunidades tradicionais, que não saiu do papel. De igual maneira, aprovado no Acordo de Paris (2015), nações desenvolvidas concordaram em mobilizar US$ 100 bilhões anuais para apoiar ações climáticas em países em desenvolvimento, posteriormente ampliados para US$ 300 bilhões anuais até 2035. Não se tem notícia sobre projetos mobilizados na África, nos países pobres da Ásia ou da América Latina onde esses recursos estariam sendo aplicados. Nesse sentido, as COPs não passam de eventos imaginários.
Com os próximos 50 anos em perspectiva, e em preparação para o Dia Mundial do Meio Ambiente, o Pnuma compartilhará informações sobre ações que podem ser tomadas para proteger a biodiversidade, contribuir com o reflorestamento de paisagens degradadas e se comprometer com a gestão sustentável de recursos naturais.
Em relação ao Brasil, em que grau o país evoluiu na agenda do meio ambiente conciliada às idiossincrasias geopolíticas, às particularidades socioeconômicas de suas regiões? Como diferenciar preservação dos biomas com ausência de políticas públicas norteadoras de atividades produtivas? Afinal, preservar é tão importante quanto produzir.
Exemplos contundentes, e vergonhosos: a rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, como a Ferrogrão (EF-170), de 933 km, conectando Sinop (MT) ao Porto de Miritituba (PA) para escoar soja e milho, vêm sendo obstruídas por ações de ONGs inimigas de nosso desenvolvimento, toleradas pelo governo federal.
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Vale salientar, por oportuno, uma constatação inexorável: se houvesse Ibama, ONGs e Marina Silva nos anos 1950, 1960 ou 1970, o Brasil não teria construído Brasília, a rodovia Belém-Brasília, a Ponte Rio-Niterói, as hidrelétricas de Paulo Afonso ou Itaipu, a BR-174, que interliga Manaus a Boa Vista (RR), ou a própria BR-101, que conecta Touros, no Rio Grande do Norte, a São José do Norte, no Rio Grande do Sul.
Com aproximadamente 4.700 km de extensão, ela margeia o litoral brasileiro, passando por 12 estados, conectando o Nordeste ao Sul do país. A BR-174 cruza a Reserva Yanomami sem qualquer incidente, a não ser o escancaramento da condição de extrema pobreza em que aquele povo continua sendo mantido.
Osiris M. Araújo da Silva, economista, consultor de empresas, colunista econômico e escritor, é membro da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos







