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E o Brasil, agora vai?

Apesar das confusões do novo governo, há uma melhora na confiança dos consumidores e empresários

  • Andreas Hoffrichter
 | Alan Santos/PR
Alan Santos/PR
 
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Sempre que se inicia um novo ano, várias empresas, muitas de origem alemã, associadas à Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK Paraná), me solicitam uma previsão sobre o desempenho da economia. Confesso que é uma tarefa difícil uma vez que a economia brasileira é extremamente complexa e depende não só de fatores internos, mas também de fatores externos, como o desempenho das economias dos EUA e da China, nossos principais parceiros comerciais e dos quais somos muito dependentes. A dificuldade aumenta na medida em que, um novo governo eleito com 55% dos votos válidos e que correspondem a 58 milhões de habitantes, se inicia de maneira confusa, com seus membros fazendo declarações desconexas e contraditórias.

O programa econômico do atual governo é amplamente conhecido e, na teoria, apresenta soluções pertinentes para os problemas que permeiam a nossa economia há pelo menos duas décadas. Na prática, a capacidade de negociar e articular a implantação de medidas tão urgentes e necessárias para tirar o país da recessão profunda em que está mergulhado é essencial para o sucesso do recém-eleito e renovado governo federal e, também, do estadual.

A reforma tributária precisa ser encaminhada, caso contrário, não seremos competitivos em mercado algum

A minha percepção é de uma melhora na confiança dos consumidores e empresários. Alguns indicadores justificam esta mudança de humor. O último boletim do banco central sinalizou claramente que os juros devem ficar no patamar de 6,5% durante todo o ano com um eventual e pequeno aumento no final deste período, dependendo da evolução da inflação. Ao que tudo indica esta deve ficar abaixo da meta central de 4,25% ao ano. Faz muito tempo que não temos um cenário tão positivo com expectativas de estabilidade por longo tempo, da taxa de juros, da inflação e por consequência da taxa de câmbio que deve girar em torno de R$ 3,70 na média para 2019.

O atual presidente tem a grande chance de implementar a reforma da previdência, sem a qual não haverá solução para o enorme déficit público brasileiro. A reforma tributária precisa ser encaminhada, caso contrário, não seremos competitivos em mercado algum, enquanto perdurar a cavalar carga tributária que incide sobre os agentes econômicos que geram valor agregado. A aprovação dessas duas reformas abrirá espaço para uma queda significativa da taxa de juros no futuro.

A OMC publicou recentemente um estudo demonstrando que o Brasil foi um dos países que mais abriu seu mercado para produtos estrangeiros em 2018, indo na contramão da maioria dos outros países que tendem, cada vez mais, a criar medidas protecionistas. A expectativa é de que o novo governo continue abrindo o nosso país, expondo-o gradativamente à competição internacional para modernizar nossos processos industriais e atrair novos investimentos para a nossa combalida infraestrutura. Precisamos criar condições estáveis e de longo prazo que tornem estes investimentos atrativos, como, por exemplo, garantir segurança jurídica aos investidores. Estamos no bom caminho.

Leia também: As sete reformas (editorial de 11 de fevereiro de 2019)

Leia também: A dívida pública continua a subir (editorial de 7 de fevereiro de 2019)

O setor automotivo que emprega 1,3 milhões de pessoas, sendo responsável por 22% do PIB industrial brasileiro, já dá sinais de recuperação. A Honda vai inaugurar, ainda neste trimestre, a sua fábrica de Itirapina – SP, que consumiu um investimento de R$ 1 bilhão e ficou fechada durante três anos. A Fiat – Chrysler anunciou investimentos de R$ 14 bilhões até 2022. No Paraná, em sua planta de São José dos Pinhais, a Volkswagen inicia neste mês a produção do T-Cross, primeiro SUV da marca produzido no Brasil, com expectativa de retomar a plena ocupação da fábrica.

É absolutamente imprescindível que o combate implacável à corrupção continue em todos os níveis. O governo também precisa reduzir rapidamente a burocracia descomunal, lenta, ineficiente e desnecessária que faz com que o custo transacional no Brasil seja altíssimo.

Se o Executivo, com o apoio das instituições e da sociedade, conseguir encaminhar os projetos acima descritos, a confiança no nosso país estará restabelecida. E, aí sim, me arrisco a afirmar que agora vai!

Andreas Hoffrichter é diretor da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK Paraná) e conselheiro de Administração certificado pelo IBGC.

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