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No dia 1.º de dezembro de 2009, o Tri­­bu­­nal Regional Federal da 4.ª Região em Porto Alegre (TRF4) decidiu, por unanimidade, suspender o julgamento do processo que discute o fechamento da Estrada do Colono, a qual atravessa o Parque Iguaçu e que durante mais de 40 anos foi a principal rota de ligação entre os habitantes de Medianeira, Capanema e Serranópolis do Igua­­çu. De forma corajosa, a corte federal atendeu ao pleito dos municípios lindeiros à reserva, com a determinação de que seja designada uma audiência de conciliação entre todos os envolvidos, a fim de buscar uma solução consensual que efetivamente seja capaz de pôr fim ao conflito que originou esta demanda.

Os mais céticos poderão afirmar que será mera perda de tempo, pois se trata de litígio que se prolonga há mais de 23 anos sem uma solução definitiva. Porém, como bem observou o TRF4, uma solução meramente processual não será capaz de resolver o conflito subjacente. Além disso, fato é que não mais existe um antagonismo entre os municípios lindeiros, seus habitantes e a administração do Parque Iguaçu, pois houve um amadurecimento de parte a parte, sendo a necessidade de sua preservação um indiscutível consenso.

Afinal, se em meados dos anos 80 o governo do Paraná tinha a intenção de asfaltar a estrada, tal ideia hoje está completamente descartada. Portanto, se não há mais espaço para esse radicalismo (no sentido de intensificar a utilização do caminho), igualmente não pode haver espaço para o extremo oposto, qual seja, pura e simplesmente interditar e completamente negar a sua existência e importância histórica e cultural para os habitantes da região. A virtude que aqui se busca está no meio termo entre dois extremos, conciliando interesses para o bem comum.

Assim, sejam quais forem as condições estabelecidas pelo Instituto Chico Mendes para a reabertura do caminho, os municípios estão dispostos a aceitar. Concordarão que se trate de estrada com pavimento rústico, de pista estreita, com tráfego apenas durante o dia e apenas para veículos de transporte de turistas ou de moradores da região, com cobrança de pedágio e com cancelas de acesso administradas pelo próprio parque. Só não aceitarão que se negue e se continue a negar a importância da estrada para aqueles que lá vivem.

Reaberta a estrada, estamos certos que a população lindeira deixaria de ver o Parque Iguaçu apenas como um ônus ao seu desenvolvimento e passaria a efetivamente interagir com ele, o que hoje não acontece. As crianças poderiam enfim conhecer o parque que está dentro de sua cidade natal e que pertence ao seu território, mas que lhes é paradoxalmente inacessível. Novas oportunidades de receita surgiriam, tanto para a administração do parque como para os municípios, pois a estrada seria uma indiscutível atração turística que poderia romper a perversa lógica que faz com que os benefícios do turismo apenas revertam em favor do município de Foz do Iguaçu, não obstante municípios como Serranópolis do Iguaçu possuírem mais de 50% de sua área total ocupada pelo parque.

Tudo isso apenas depende do Instituto Chico Mendes. Sejamos objetivos: verdadeiramente congraçar a população lindeira com o Parque Iguaçu será muito mais eficiente para a sua preservação do que simplesmente isolá-la e desconsiderá-la. Mudar tal cenário é a nossa esperança, sendo que a oportunidade oferecida pelo TRF4 não pode ser desperdiçada.

Elias Carrer, José Arlindo Sehn e Milton Kafer são prefeitos, respectivamente, de Medianeira, Serranópolis do Iguaçu e Capanema

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