Gaza e a urgência da paz

Em 12 de junho último, o grupo Hamas, que controla o governo da Autoridade Palestina e que exerce o poder de fato sobre a Faixa de Gaza desde 2007, foi acusado do sequestro e do assassinato de três adolescentes israelenses, a gerar mais um triste episódio no conflito árabe-israelense que se eterniza. De outro lado, a Palestina acusou Israel de sequestrar um jovem palestino, cruelmente assassinado em Jerusalém. Embora as autoridades israelenses prendessem os fanáticos autores do bárbaro crime, tratando-os como os criminosos que são, intensificaram-se ataques de foguetes, em escalada que ensejou o recrudescimento da ofensiva de Israel contra o Hamas. Para muitas autorizadas vozes, o grupo se utiliza de viés político para conspirar contra qualquer acordo de paz, com constantes práticas terroristas, pelo que o Irã, a Síria e o Egito deixaram de apoiá-lo. Leve-se em conta que sua base é a destruição pura e simples do Estado de Israel.

Leia a opinião completa de Eduardo Biacchi Gomes, advogado, doutor em Direito e professor de Direito Internacional.

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Desde 2 de julho Israel reiniciou os bombardeios à Faixa de Gaza, onde moram quase 2 milhões de palestinos. Centenas de pessoas morreram, em especial crianças e idosos. E o mundo assiste calado a mais uma barbaridade cometida pelo governo israelense. O povo palestino é milenar. Mora na Palestina há mais de 10 mil anos. A cidade mais antiga do mundo, Jericó, é palestina e tem dez milênios de existência. Esse povo descende dos antigos filisteus.

Desde meados do século 19 os sionistas traçaram um plano de colonização da Palestina, cujo objetivo seria a instalação de um Estado judeu. Segundo o Velho Testamento, eles seriam o povo eleito, escolhido por Deus para ter aquelas terras. Israel se baseia em outro mito: uma terra sem povo para um povo sem terra.

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O movimento político para a tomada da Palestina leva o nome de "sionismo". Isso nada tem a ver com judaísmo, também esta uma religião milenar. O que se chama Israel hoje tem em torno de 7 milhões de judeus apenas e, ainda assim, vindos de mais de 70 países.

Mas, para que os líderes sionistas pudessem levar adiante o seu projeto colonial de toda a região, eles precisavam se aliar ao imperialismo inglês, que dominou a região entre 1920 e 1947. E foi o que fizeram. Um censo realizado por volta de 1910 atestou que existiam, morando na Palestina, apenas 5% de judeus; todo o restante eram palestinos.

No entanto, essa realidade foi sendo alterada. Iniciaram inclusive perseguições de judeus em toda a Europa para forçar a migração judaica para a região. A situação foi ficando tão explosiva que a ONU decidiu dividir a Palestina e criar dois Estados, o de Israel e o da Palestina. Os judeus ficaram com a maior parte, 54%; os donos da terra, com 46%. Quando a Inglaterra se retirou da Palestina, em 15 de maio de 1948, imediatamente os sionistas proclamam a instalação de Israel.

A partir daí, os sionistas iniciam uma guerra contra os árabes e palestinos para tomar o restante das terras. Abocanharam 76% do total. Quase 500 aldeias palestinas foram destruídas; suas casas, demolidas, e suas famílias, expulsas. No mundo hoje são 6 milhões de palestinos vivendo o exílio. Mas Israel nunca se contentou com isso. Quer sempre mais.

Nesses 66 anos da Nakba (que significa em árabe "catástrofe"), as coisas só pioraram. Ninguém segura Israel. Nem mesmo os Estados Unidos. São mais de 300 resoluções da ONU contra Israel, mas eles não acatam nenhuma. E em apenas duas delas os Estados Unidos votaram a favor; mesmo assim, nunca foram cumpridas.

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Não bastasse a ocupação, os sionistas perpetraram muitos massacres contra o povo palestino. Os mais famosos foram o de Deir Yassim, em 1947; Sabra e Shatila (Líbano), em 1982; e Gaza, em janeiro de 2009.

Agora, Israel ataca novamente. As imagens na tevê são impressionantes. Destroem hospitais e escolas de forma proposital. Os palestinos são completamente indefesos. Não possuem seu exército, nem armas, nem bateria antiaérea.

O mundo precisa parar Israel. A tal comunidade internacional precisa dar um basta às barbaridades e ao genocídio que Israel vem cometendo. É preciso instalar o Estado da Palestina. A Palestina precisa voltar aos mapas escolares.

Lejeune Mirhan, sociólogo, professor e escritor, é especialista em mundo árabe com seis livros publicados e esteve três vezes na Palestina ocupada.

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