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A ativista ambiental sueca Greta Thunberg
A ativista ambiental sueca Greta Thunberg.| Foto: Eric BARADAT / AFP

Peço a devida vênia ao leitor para o título cacofônico, mas é um fato que me chamou a atenção ao encontrar, nas mídias sociais, uma postagem de Greta Thunberg e, logo em seguida, uma publicação de Petra Costa. O que estas personagens têm em comum? O que o futuro nos reservará em matéria de neoativismo de esquerda?

Ambas ganharam fama e notoriedade há certo tempo. Greta Thunberg é uma famosa ativista no auge de seus experientes 15 anos, cuja maior “revolução” foi um chamado a uma greve escolar para salvar o planeta, o que, sem eufemismo, inspira os alunos a matarem aula. Petra Costa tem seu sucesso graças ao documentário Democracia em Vertigem, com sua narrativa reescrevendo a história, “apagando” a crise econômica advinda da “Nova Matriz Econômica”, a real responsabilidade do Partido dos Trabalhadores nos recentes escândalos de corrupção, além de fantasiar a manipulação do impeachment pelo PSDB, tornando milhões de brasileiros (protagonistas daqueles eventos) meros fantoches.

Há um hiato geracional entre as mencionadas figuras públicas, elas residem em hemisférios distintos, mas é indissociável a percepção de que a infanto-juvenil ativista Greta Thunberg no futuro será uma ativista tal qual Petra Costa o é atualmente.

As semelhanças entre ambas estão na ampla influência que suas famílias exerceram. Uma elite financeira, no caso tupiniquim: os pais de Petra Costa são notórios militantes de esquerda desde que se conheceram em sua época de faculdade e continuam a sê-lo ainda hoje, o que demonstra que a maturidade nem sempre advém do tempo; seu nome é uma homenagem a Pedro Pomar, fundador do Partido Comunista Brasileiro; e, curiosamente, ela é neta de um dos fundadores da empreiteira Andrade Gutierrez, estando no núcleo essencial do escândalo de corrupção da Petrobras e outros negócios escusos. Uma constante na esquerda caviar brasileira é a glamourização de conceitos marxistas por seletos membros de uma elite financeira.

A infanto-ativista Greta Thunberg tem uma família de atores conhecidos, também essenciais para a deflagração de suas ações, pois incentivou os protestos, inclusive com referência a uma “rebelião juvenil”, conclamando os alunos a faltarem às aulas, no seu Skolstrejk för klimatet (“greve da escola pelo clima”), que nada mais é do que matar aula por um protesto de efeitos práticos inúteis, passando à sua meteórica ascensão recente com seus discursos altamente produzidos mas vazios de conteúdo e resultados práticos.

Além disso, ambas são figuras centrais em obras de documentários. Petra, com seu filme distópico, um olhar particular do que não foram os eventos que ocasionaram o impeachment. Já no caso de Greta Thunberg, sua “luta” será o destaque de um documentário da BBC que promoverá encontros da jovem com cientistas (impressionantes os diálogos que devem suceder), além de relatar sua vida pessoal e a migração da infância para a vida adulta (!?).

A recente entrevista da cineasta Petra Costa à CNN é um espetáculo à parte, com inúmeras frases desconectadas com a realidade, feitas para chocar o público americano. Talvez um telespectador norte americano ficasse no mínimo estupefato com as informações veiculadas sobre “genocídio dos brasileiros negros”, “rituais satânicos”, “bebê demônio” ou “transformação da Floresta Amazônica em savana a qualquer momento”.

Durante a cerimônia do Oscar, Petra Costa não deixou de trazer uma mensagem política expressa, com direito a uma cômica presença de um membro de sua equipe com um boné do Movimento dos Sem-Terra, e um cartaz que pedia “Stop invading indigenous lands”, ou “Parem de invadir as terras indígenas”. Uma piada pronta, além de contar com a cota indígena e a sempre presente Marielle (em que a demora da conclusão do inquérito, triste realidade de milhares de casos, favorece a narrativa). O simbolismo do protesto, já manjado por brasileiros, talvez seja exótico naquele local, mas a insignificância é o destino final deste ato, assim como o do documentário  Democracia em vertigem.

São informações demais para serem digeridas e muitas mentiras para serem refutadas, não por uma narrativa, mas pelos fatos e a própria realidade que impõe-se diante de qualquer visão ideológica, a ponto de o Movimento Brasil Livre ter feito um vídeo em inglês, chamado And the Oscar goes to... CORRUPTION. The Edge of Hipocrisy, denunciando as mentiras de Petra Costa e seu documentário. Sinceramente, a entrevista da cineasta a ridiculariza mais que seu documentário.

Da mesma forma, quando vejo as falas ou eventos de Greta Thunberg, toda a pompa, o silêncio e o ar de seriedade, aquela expectativa por pérolas de sabedoria ou a receita da pedra filosofal, e comparo com o que ocorre de verdade, não deixo de pensar na máxima de Horácio: “parturiunt montes, nascetur ridiculus mus”, ou “a montanha pariu um rato”.

As mentiras e ativismo que ambas representam, “denunciando” governos e figuras do espectro conservador, apresentando uma distopia, afirmando que vivemos em uma era neofascista, busca desenhar com tintas mentirosas quase um cenário da década de 30 do século passado.

O alento está no fato de que a internet permite ridicularizar o pensamento distorcido de ambas, suas falas absurdas, o descolamento de suas posições com fatos e a realidade. Quem já não viu memes com o “How dare you?” de Greta, ou não começa a reproduzir trechos da fala de Petra com a história do “bebê demônio” e do “genocídio dos brasileiros negros”? Greta será Petra no futuro e o humor desnudará ambas as figuras, tornando ridículas suas ideias tão asseveradas com ares de seriedade. O único aspecto relevante em ambas é o caráter cômico da figura pública que representam.

Juliano Rafael Teixeira Enamoto, formado em Direito e pós-graduado em Didática do Ensino Superior, é procurador da Câmara Municipal de Sapezal (MT).

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