Nem mesmo o encontro de oração com Mahmoud Abbas e Shimon Peres, promovido pelo papa Francisco no início do mês de junho, foi suficiente para evitar um novo conflito armado entre Israel e o grupo político que domina a Faixa de Gaza, o Hamas. O sequestro e morte de três adolescentes israelenses e a posterior morte de um adolescente palestino desencadearam um novo e violento choque entre árabes e israelenses.

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Desde o dia 12 de julho, os ataques costumeiros do Hamas se intensificaram. Mais de uma centena de mísseis chegaram a ser lançados por dia contra cidades israelenses. Desta vez são mísseis de maior alcance e capazes de atingir locais distantes, como Tel Aviv, Jerusalém e Dimona. Israel responde. Tem seu direito de defesa. Tem, também, o dever de defender seus habitantes do ataque inimigo.

Os noticiários destacam com ênfase única as questões que envolvem Israel e seus "pacíficos" vizinhos. Contabilizam com precisão os mortos de Gaza, com informações de uma entidade local. Esqueceram os 300 mil mortos da Síria, como também já pouco se fala da luta de irmãos no Iraque. O prato do dia, além do avião derrubado pelos russos, é a desproporcionalidade bélica usada por Israel para defender seus habitantes e, obviamente, o número de mortos, feridos e os estragos na infraestrutura das cidades de Gaza. Em outras palavras: o interesse é condenar Israel por proteger a sua população e tolher-lhe o direito de defender-se.

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E, no rodar das notícias, a realidade dos fatos desaparece da tela. A história e o contexto político são ignorados. Permanece o alarmismo das imagens que alimentam o velho e hipócrita discurso humanista dos "progressistas". E os profissionais das manifestações correm para as ruas e praças a gritar palavras de ordem e queimar bandeiras de Israel.

Mas, diante disso tudo, cabem algumas perguntas. Será que o Hamas acredita ser capaz de vencer uma guerra contra um exército regular e bem equipado como o de Israel? Se não acredita, por que se aventura em promover sequestros e assassinatos de adolescentes e iniciar um sistemático ataque de foguetes sobre Israel, provocando uma justificada reação? Por que o Hamas provoca uma guerra sabendo que fatalmente a população será a maior atingida? Qual é o real objetivo do Hamas?

Ora, o Hamas caiu em desgraça entre os seus. As agitações nos países norte-africanos e a guerra civil na Síria colocaram o movimento palestino em esquecimento. A nova política de alianças do Oriente Médio contribuiu para embaçar politicamente o Hamas. Ao mesmo tempo, o novo governo egípcio fechou os túneis usados para a prática do contrabando que abastecia o caixa e o arsenal do Hamas. Assim, o Hamas, sufocado, foi obrigado a aproximar-se do partido adversário, o Fatah, que administra a região da Cisjordânia e que conta com apoio da Europa e dos EUA. E, como num grito de desespero, o Hamas apela para o velho e pérfido jogo: provocar uma guerra, sacrificar a população, passar-se por vítima de Israel. Neste jogo, cada gota de sangue, cada morto – por essa razão são contados com precisão – vale muito dinheiro. Apela-se, então, ao Conselho de Segurança, às entidades de direitos humanos – é o marketing do mercado da morte. Sempre haverá vítimas e sempre haverá quem, por supostas razões humanitárias, alimente este hediondo mercado.

Com os palestinos no papel das vítimas, Israel aparece como o monstro impiedoso. É aquele que usa da força desproporcional – como se as guerras fossem lutas de boxe em que os competidores devem possuir a mesma categoria – contra a população civil. Não bastando a mídia que, com palavras bem colocadas, impõe a Israel a responsabilidade sobre a morte e o sofrimento dos palestinos, a ONU assume um discurso anti-Israel e, forçada pelos países islâmicos e seus associados ideológicos e dependentes do petróleo árabe, se apressa em emitir uma moção condenando Israel.

Nesse cenário hipócrita, em que a morte vale muito dinheiro e apoio político, o Hamas, mesmo com sua inferioridade bélica, com seus mortos e feridos, vence a guerra. É por esta razão que o movimento jihadista palestino provoca um embate com o país militarmente superior. Por isso, também, não interessa ao Hamas a paz. Não aceitar a presença de Israel na região é mero discurso para não dar possibilidade de sucesso aos acordos de paz. Eles bem sabem que Israel não deixará de existir. Torcem por isso. Não querem matar a galinha dos ovos de ouro. Guerra e mortes são fontes inesgotáveis de dinheiro. Seus chefes milionários vivem nababescamente na Síria, no Qatar ou em qualquer outro país que lhes dê abrigo seguro. Eles não vivem em Gaza e o seu dinheiro não é aplicado nos bancos da região.

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Israel não tem nada a ganhar com uma guerra. Apesar da sua superioridade militar, Israel perderá, como vem perdendo há décadas. Sua vocação não é belicista; no entanto, é forçado, permanentemente, a defender-se de seus vizinhos. Daí a necessidade de manter um corpo de defesa bem preparado e equipado.

Israel perderá mais uma guerra. Perderá pela condenação internacional patrocinada pela ONU. Perderá em popularidade, graças à propaganda da mídia chamada progressista e humanitária. Perderá pela hipocrisia do ativismo político que não se cansa de promover atos de vandalismo a título de protesto em favor de alguma vítima interessante.

Antonio Carlos Coelho é professor, historiador e diretor do Instituto Ciência e Fé.

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