Ainda ecoam pelos salões da Reagan Presidential Library as palavras de Carly Fiorina no último debate republicano: “eu desafio Hillary Clinton e Barack Obama a verem aqueles vídeos e assistirem a um feto completamente formado numa mesa, com o coração batendo, as pernas se mexendo, enquanto alguém diz ‘temos de manter vivo para tirar o cérebro’. Estamos falando do caráter do nosso país”. Na verdade, de toda a civilização ocidental.

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É possível que você tenha se emocionado com a morte de um leão no Zimbábue, país com mais de 2 milhões de seres humanos passando fome, mas não tenha ouvido uma única palavra sobre os mais de dez vídeos em que funcionários de uma multinacional americana são flagrados conversando tranquilamente sobre a venda de órgãos extraídos de fetos humanos. Os bebês são abortados com técnicas desenvolvidas especialmente para manter as partes a serem comercializadas intactas.

O assunto é evitado a todo custo pela imprensa porque ele “humaniza” o feto e desmoraliza o discurso de que é “um punhado de células”, além de mostrar o desprezo dos que aparecem no vídeo pela vida humana. Nos EUA, os democratas apoiam oficialmente o aborto em qualquer fase da gravidez. Barack Obama, quando senador, chegou a apoiar o “aborto pós-parto”, que é basicamente assassinar um bebê logo após o nascimento. O Partido Republicano, que controla as duas casas legislativas, votou nesta sexta pelo bloqueio do repasse de recursos públicos para a empresa.

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A luta contra o aborto é tratada como uma questão religiosa, mas é moral e jurídica

Os vídeos da Planned Parenthood são um verdadeiro show de horrores, com médicos e outros funcionários descrevendo como retirar o globo ocular dos bebês para vender a retina, como tirar a criança viva para poder extrair o cérebro intacto e muito mais. É daqueles momentos em que você sente vergonha pela raça humana, não só pelos abortistas dos vídeos como pelos políticos que defendem a empresa e pelos jornalistas que enterraram a matéria.

As origens da Planned Parenthood remontam a 1916, quando Margaret Sanger, feminista e marxista radical, abriu sua primeira clínica de “controle de natalidade”. Sanger era abertamente racista, frequentou eventos da Ku Klux Klan e liderou o Negro Project, que buscava controlar o nascimento de negros no país. Era também entusiasta da eugenia, uma tentativa de dar ares científicos ao racismo. Suas publicações eram muito populares na Alemanha nazista. A intenção de Sanger era clara: criar o máximo possível de centros de controle de natalidade em bairros pobres ou com alta concentração de negros. O aborto, vendido para a opinião pública como um ato humanitário para a população pobre que não tinha acesso à contracepção, foi usado em escala industrial para evitar o nascimento de pobres e negros.

Várias décadas depois, a empresa fundada por Sanger se tornou uma multinacional da “saúde da mulher”, com mais de US$ 1 bilhão de faturamento anual, e o aborto continua sendo uma atividade central. Enquanto você lê esse artigo, a Planned Parenthood encerrou a vida de pelo menos dois bebês.

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A luta contra o aborto é tratada como uma questão religiosa, mas é moral e jurídica. Andreas Lubitz, copiloto da Germanwings que se matou jogando um Airbus A320 contra os Alpes, levou com ele 150 passageiros que acabaram pagando com a vida apenas por estarem no voo. Agora imagine Lubitz dizendo “meu avião, minhas regras” para tentar justificar a morte desses inocentes.

A pré-candidata republicana lembrou a todos que a política não é apenas discussão de orçamentos, leis ou regulações, mas uma maneira de valorizar e proteger a vida humana. Que sua mensagem seja cada vez mais ouvida numa época que muitos não conseguem tratar bebês humanos com a mesma empatia com que olham abelhas ou eucaliptos.

Alexandre Borges, publicitário, é diretor do Instituto Liberal.