Os mecanismos de política econômica adotados pelo governo federal para aquecer a economia nos dois últimos anos privilegiaram a expansão da demanda final, constituindo-se em políticas conjunturais com eficiência no curto prazo. O que se verifica atualmente é o esgotamento dessas políticas de incentivo ao consumo. O elevado grau de endividamento e o comprometimento da renda disponível podem ser destacados como elementos importantes que impediram, a partir de determinado momento, a continuidade dos efeitos positivos das políticas adotadas.

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Uma combinação dos efeitos restritivos pode ser identificada a partir de exemplos como a queda significativa do crescimento do PIB brasileiro no triênio 2010-2012 e no investimento via formação de capital fixo (público e privado) como porcentagem do PIB – de 19,5% em 2010 para 18,5% até o terceiro trimestre de 2012.

Como pano de fundo desse cenário, cabe destacar a crise nas economias desenvolvidas e o menor crescimento da China, estabelecido pelo governo daquele país para 2012. O comércio mundial teve queda significativa, segundo o FMI. É inegável que a queda repercute sobre a economia brasileira, cada vez mais integrada ao processo de globalização econômica.

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A indústria brasileira não atingiu o desempenho esperado em 2012 por causa da simultaneidade dos fatores mencionados, acrescidos pelo "custo Brasil" e pela presença dos importados. A agricultura, neste início de 2013, apresenta aumento significativo na produção de grãos, com destaque especial à colheita paranaense. Os números referentes à safra foram beneficiados pela combinação positiva de produtividade do solo, fatores climáticos e preços no mercado.

No momento, mostra-se necessário ao governo adotar uma nova vertente de políticas econômicas voltadas a segmentos ou problemas não contemplados. Torna-se urgente, portanto, a elaboração e implementação de políticas estruturais, voltadas à expansão dos investimentos, com horizonte de médio e longo prazo.

As práticas governamentais deverão ter credibilidade suficiente para obter a confiança do sistema produtivo quanto às diretrizes pretendidas. Não sendo assim, os investimentos privados poderão até estagnar. Há um espaço importante a ser preenchido pelo investimento do governo em infraestrutura, que não está sendo efetivado na velocidade necessária ao atendimento dos setores produtivos.

Em paralelo, a dimensão dos conflitos e insuficiências atuais justifica também a adoção de políticas de alteração institucional, capazes de atuar de forma complementar. Por exemplo: reforma fiscal-tributária, alterações monetário-creditícias para reduzir custos de financiamento à pessoa física, redução do peso do "custo Brasil" no custo de produção, e contenção da participação do Estado na economia.

As autoridades econômicas têm consciência de que o governo não produz bens e serviços e não exporta. Quem produz para os mercados interno e externo são os empresários dos diferentes setores produtivos. Ao governo cumpre incentivar a atuação do sistema de produção, adotando uma combinação de políticas econômicas que facilitem a competitividade da produção nacional. A rápida capacidade de adequação do sistema produtivo às mudanças advindas de políticas econômicas eficientes permitirá a viabilização dos objetivos voltados ao crescimento e o desenvolvimento da economia brasileira.

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Darci Piana, é presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac Paraná.