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A maioria das pessoas vive para o fim de semana. Seja um estudante esperando o toque do último sinal de sexta-feira ou um empresário terminando sua última reunião da semana, os seres humanos desejam se libertar do trabalho. A forma mais extrema disso talvez seja o anseio de muitas pessoas pela aposentadoria, um momento em que, supostamente, todo o trabalho ficará para trás.
Do ponto de vista cristão, porém, estar ocupado é bom para a pessoa humana. O próprio Jesus Cristo aprendeu a trabalhar aos pés de seu pai terreno, São José, e em 1º de maio, a Igreja Católica Lembra a todos os cristãos dessa realidade.
O dia 1º de maio é a festa de São José Operário na Igreja Católica. O papa Pio XII instituiu a festa de São José Operário em 1955, em parte como resposta às celebrações comunistas do Dia Internacional do Trabalhador.
Nas Escrituras , aprendemos que José era carpinteiro quando Jesus retorna à sua cidade natal, Nazaré, e as pessoas o rejeitam. Elas perguntam: “Não é ele filho do carpinteiro?” (Mateus 13:55). A palavra grega traduzida como carpinteiro é tekton, que significa “artesão, artífice ou construtor”.
José era um operário esforçado. Ele sabia o que era estar imerso no trabalho braçal diário. Jesus provavelmente cresceu com José na oficina, aprendendo com seu pai adotivo.
O fato de a Igreja designar um dia para honrar São José e a importância do labor destaca a necessidade de a humanidade refletir sobre como o trabalho pode nos santificar.
Podemos ver que o trabalho nos faz bem. O desafio é não deixar que o trabalho nos defina. Muitas pessoas vivem para trabalhar em vez de trabalhar para poderem viver
O labor surge pela primeira vez na Bíblia durante as histórias da criação em Gênesis. É nos dito que Deus “tomou o homem e o colocou no jardim do Éden para cultivá-lo e guardá-lo” (Gênesis 2:15). Os seres humanos foram feitos para estar em contato com a criação e trabalhar com ela. Dessa forma, encontramos a realização como o ápice da criação.
Então os animais foram criados e Deus “os trouxe ao homem para ver como ele os chamaria; e o nome que o homem desse a cada ser vivente seria o seu nome” (Gênesis 2:19). Essa tarefa demonstra o domínio do homem sobre a criação, mas também mostra que o trabalho em si é uma participação na criação de Deus.
O trabalho não foi dado para ser um fardo, mas sim uma dádiva. A labuta nos permite criar e nos tornarmos semelhantes a Deus, que é o Criador.
Após a queda no Jardim do Éden, a labuta do homem tornou-se árdua. Contudo, isso não alterou o fato fundamental de que o trabalho em si é bom – assim como as dores do parto não transformam os filhos em algo menos que uma dádiva. Na verdade, o lado desagradável das tarefas e a dor do parto fazem parte da cura para o pecado. Eles ajudam o ser humano a aprender o amor sacrificial. O trabalho é redentor; ele nos ensina a ser altruístas, em vez de egoístas.
Em 1961, o papa João XXIII explicou que o trabalho é uma atividade especificamente humana, necessária e pessoal. Em sua encíclica Mater et Magistra (Sobre o Cristianismo e o Progresso Social), ele ensinou que o homem precisa trabalhar para prover as necessidades da vida, como alimento, água, abrigo e vestuário.
José foi testemunha disso. Ele trabalhava longas horas para sustentar Maria e Jesus. Jesus viu a força e o comprometimento de seu pai terreno, que estava disposto a suportar seu trabalho por amor à sua família.
Todos os homens e mulheres que trabalham para sustentar suas famílias hoje fazem o mesmo. Nosso trabalho, quando encarado da maneira correta, é uma forma de nos sacrificarmos e demonstrarmos nosso amor pela família. No mundo contemporâneo, esse labor geralmente também exige que sacrifiquemos tempo longe da família para sustentá-la. Nosso trabalho nos afasta dela, mas é nessa separação que podemos aprender a amá-la ainda mais.
O trabalho também é pessoal. Ele só é possível graças às faculdades humanas distintivas do intelecto e da vontade.
O trabalho une as pessoas. Muitas formam seus relacionamentos mais fortes no ambiente do ofício. Isso se deve ao fato de o trabalho ser interpessoal. As diversas imagens de Jesus e José juntos na oficina testemunham essa realidade.
Quando Jesus foi crucificado com martelos, pregos e pedaços de madeira, ele deve ter se lembrado de todas as horas que passou com José quando menino em Nazaré, na oficina. O tempo que passaram juntos os uniu em amor.
Nós também podemos nos fortalecer com o apoio dos nossos colegas para perseverar em tempos difíceis. Podemos nos apoiar mutuamente quando surgem desafios no ambiente de trabalho, porque sabemos que não enfrentamos nada sozinhos.
Dessa forma, podemos ver que o serviço nos faz bem. O desafio é não deixar que o trabalho nos defina. Muitas pessoas vivem para trabalhar em vez de trabalhar para poderem viver. O trabalho pode nos consumir. Pode nos esgotar física, emocional e intelectualmente.
Apesar da tentação de fazer do trabalho o nosso deus, e apesar dos muitos desafios que o trabalho apresenta no século XXI, aprendamos com o testemunho de São José que o labor é necessário e pessoal. O trabalho nos ensina a amar sacrificialmente. E isso nos une como parte da família humana.
©2026 The Daily Signal. Publicado com permissão. Original em inglês: Work Is Good for You: The Christian Response to Communism and Laziness
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos







