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Ódio à prosperidade: a fórmula que explica o crescimento da extrema-esquerda nos EUA

Votos da geração Z estão influenciando diretamente na eleição de radicais nos Estados Unidos. (Foto: Imagem produzida por ChatGPT/Gazeta do Povo)

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Na última disputa eleitoral do Partido Democrata, as primárias para definir o candidato a governador de Wisconsin, a socialista democrática Francesca Hong perdeu por uma margem mínima, apesar de todas as pesquisas a colocarem à frente do candidato do establishment, David Crowley. A notícia é que Francesca Hong tenha perdido por pouquíssimos votos e permanecido competitiva até o último momento, porque, apenas cerca de dez anos atrás, ela sequer teria tido apoio suficiente para se candidatar. Não por ser mulher, nem por ser de origem asiática, mas porque, entre suas propostas radicais — como a abolição das fronteiras e da polícia —, chegou até mesmo a defender a proibição do Dia de Ação de Graças, o Thanksgiving, celebração da primeira colheita dos Pais Fundadores, uma festa quase tão importante nos Estados Unidos quanto o Natal.

Em 2020, em plena pandemia de Covid-19, a futura candidata tuitava: “Cancelem o Dia de Ação de Graças. Deveriam tê-lo feito já em 1621. Se é preciso uma pandemia mundial para percebermos que deveríamos parar de celebrar o colonialismo e o evento original de superpropagação que matou povos indígenas e mulheres, que assim seja.” Esse é um argumento típico do anticolonialismo extremo: os europeus vistos como genocidas e como portadores de doenças letais. O branco cristão é ele próprio comparado a um vírus. Hong não se arrepende do que escreveu. Na véspera das eleições, em uma entrevista à CNN, a apresentadora Kaitlan Collins perguntou a Hong se ela havia mudado de ideia. Em vez de responder sim ou não, ela deu uma longa explicação sobre seu primeiro emprego, como cozinheira, e sobre o fato de que, entre as primeiras refeições que serviu, estavam almoços de Ação de Graças. Essa experiência a fez perceber que “para muitos membros da comunidade é uma experiência dolorosa”.

A derrota de Hong foi interpretada pelos observadores políticos como um revés para os socialistas democráticos. Porém, a julgar pelos dados, não parece ser bem assim. David Crowley, apoiado pelo governador em fim de mandato Tony Evers, venceu por muito pouco, com 39,8% contra 39,3% dos votos de Francesca Hong — uma diferença de cerca de 4 mil votos. Nada menos que 311.512 eleitores democratas escolheram uma candidata que defendeu a abolição do Dia de Ação de Graças e continua convencida disso.

A tendência de crescimento dos extremistas de esquerda americanos é confirmada pela Polymarket, o maior site de apostas, que aponta Alexandria Ocasio-Cortez como a próxima candidata democrata à Presidência. Ela aparece com 21%, contra 17% do até então favorito Gavin Newsom, governador da Califórnia. É a primeira vez que ocorre a ultrapassagem, embora a própria Cortez nunca tenha oficializado sua intenção de concorrer à Presidência.

Cortez, deputada de Nova York pelo distrito do Bronx, é a mais radical entre as democratas, ao lado de Rashida Tlaib e Ilhan Omar. Depois de abraçar todas as bandeiras da extrema esquerda, de “defund the police” à causa pró-Palestina, agora Cortez lançou sua ofensiva pelos “direitos reprodutivos”, filmando e divulgando nas redes sociais todas as etapas de seu congelamento de óvulos. “Esta administração está negando assistência reprodutiva às mulheres em todo o país, desde o direito ao aborto até a possibilidade de levar uma gravidez saudável até o fim”, diz ela enquanto, aos 36 anos, congela sua futura maternidade.

Até a administração anterior, governo Biden, uma candidatura à Presidência de uma feminista radical como Cortez sequer seria concebível. O que está acontecendo? Uma resposta apenas parcial é: a reação a Trump. Mas a verdadeira pergunta é por que essa reação está assumindo uma forma tão extremada. E parte da resposta está nos eleitores jovens, entre 18 e 30 anos. São sobretudo eles que quase fizeram Francesca Hong vencer, que elegeram o socialista muçulmano Zohran Mamdani prefeito de Nova York e que fizeram Abdul El Sayed vencer as primárias para o Senado em Michigan. O extremismo e a inclinação ao islamismo político são um fenômeno geracional.

O autor conservador Arthur Brooks, em seu longo artigo A grande retirada da Geração Z do risco, publicado no jornal on-line The Free Press, constata uma verdadeira mudança antropológica na nova geração: “agora que a Geração Z entrou plenamente no mercado de trabalho, pesquisadores financeiros começaram a analisar os hábitos de investimento desses jovens adultos. A opinião comum é que os jovens estejam investindo pesadamente em criptomoedas, e alguns certamente o fazem. Mas, em média, os membros da Geração Z tendem a preferir ativos mais seguros e evitam investimentos de alto risco, em comparação com as gerações anteriores”. E, no trabalho em geral, os jovens preferem um emprego mais seguro à carreira, mesmo que isso implique um salário menor.

Essa baixa propensão ao risco também se reflete na vida familiar de quem mora nos Estados Unidos: “Em 1980, 90% dos homens de 35 anos eram casados; hoje, o percentual caiu para 60% e está diminuindo rapidamente. Em 1993, 83% das meninas no último ano do ensino médio declaravam esperar se casar algum dia; em 2023, apenas 61% afirmavam o mesmo”. “O número médio de filhos que os jovens adultos pretendiam ter caiu de 2,3 em 2012 para 1,8 em 2023. Naquele ano, apenas 51% dos jovens entre 18 e 34 anos sem filhos disseram ter intenção de ter filhos no futuro.”

E os jovens da Geração Z, que estão assimilando as piores características da sociedade europeia, votam de acordo com isso. Votam em quem condena a civilização ocidental desde suas próprias bases, propõe um Estado paternalista e promete plena liberdade sexual para quem a vive em sua abençoada solidão.

Stefano Magni é um jornalista e ensaísta italiano, com formação em Ciência Política e uma trajetória voltada para temas de política internacional, federalismo, história e pensamento liberal-conservador

©2026 La Nuova Bussola Quotidiana. Publicado com permissão. Original em italiano: L'estrema sinistra Usa piace a giovani che odiano il rischio

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