Imagem ilustrativa.| Foto: punggolzenith/Pixabay
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Nesta terça-feira, dia 27, comemora-se o Dia do Pediatra. Ser pediatra é um modo de vida. Exige uma série de características únicas e muita sensibilidade. É ter uma visão integral voltada às crianças, no sentido assistencial e de sua proteção, mas também no que diz respeito às relações com os familiares e responsáveis legais pelo paciente. Para tratar, é necessário estudar o cenário de uma família, bem como o contexto e as condições nas quais ela vive, respeitando as suas peculiaridades e a vulnerabilidade da criança e do adolescente. Isso é mais do que ser médico.

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Ao longo dos séculos, os médicos vêm oferecendo diagnósticos e tratamentos para públicos de todas as idades, inclusive os mais jovens. No entanto, a pediatria surgiu como especialidade médica no século passado, devido aos elevados índices de mortalidade infantil e ausência de profissionais capacitados para cuidar dessa faixa etária. A palavra “pediatria” tem origem grega e significa paidos (criança) e iatreia(processo de cura). No Brasil, para tornar-se pediatra é necessário especializar-se em pediatria geral.

Em 27 de julho de 1910, alguns médicos se organizaram em uma associação que deu origem à Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), representante máxima dos interesses da especialidade no país. Ser pediatra atende à extensão toda da medicina e exige ainda mais para permitir que a autonomia do sujeito a ser cuidado seja mantida. Cabe ao pediatra transformar vidas e atender às diversas doenças do nascimento até os 19 anos de idade. Não há uma fórmula única para o adequado acolhimento dessa população.

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A pediatria representa uma medicina qualificada para assistência, prevenção, promoção da saúde e defesa social. No Brasil, considerado um dos dez países mais desiguais no mundo, percebemos a falta desses especialistas no Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, contamos com quase 40 mil pediatras no Brasil – os quais precisariam estar inseridos nas unidades básicas de saúde, principalmente até contarmos com um número maior de médicos da família, que hoje somam 7 mil –, apenas 10% do necessário para suprir a demanda dos brasileiros. Considerando que o SUS corresponde ao atendimento de 75% da população do país, isso é motivo de preocupação.  Além disso, segundo os dados da pesquisa de Demografia Médica, mais da metade dos pediatras (55%) está instalada na Região Sudeste. Em segundo lugar estão as regiões Sul e Nordeste, com pouco mais de 16% dos profissionais especializados na área; 8,6% no Centro-Oeste; e 4% no Norte.

O pediatra deve defender que todas as crianças tenham as mesmas oportunidades de acesso à saúde. Quanto mais cedo iniciarmos esse cuidado, desde a primeiríssima infância – que abrange da gestação até os 2 anos de idade –, melhor será o desenvolvimento cognitivo, intelectual e comportamental do indivíduo. E cabe também às entidades médicas e à sociedade civil organizada defender a presença do pediatra nesse primeiro nível de atenção em saúde.

Nessa linha, o direito ao acesso universal à assistência na atenção primária deve caminhar em consonância com outros níveis de complexidade em assistência. O Brasil precisa de centros de referência em pediatria, hospitais de especialidades pediátricas, como o Pequeno Príncipe. Segundo o Ministério da Saúde, existem oito hospitais no Brasil com estas características; este número de centros é insuficiente para prover o acesso igualitário às crianças e aos adolescentes do país. O público infanto-juvenil representa o futuro, mas depende das decisões do presente, de políticas de garantias preconizadas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A falta de assistência a esse público é muito mais silenciosa do que imaginamos e não podemos permitir que ele seja invisível nos bancos de dados e nas políticas públicas do Brasil.

Donizetti Dimer Giamberardino Filho é pediatra, nefrologista, diretor técnico do Hospital Pequeno Príncipe e vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM).