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Os impactos para o Brasil do conflito entre EUA e Irã

A ofensiva contra o Irã levanta a velha dúvida das guerras no Oriente Médio: derrotar um inimigo é mais fácil do que mudar o regime
A ofensiva contra o Irã levanta a velha dúvida das guerras no Oriente Médio: derrotar um inimigo é mais fácil do que mudar o regime (Foto: EFE/EPA/Abedin Taherkenareh)

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A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã já começa a se refletir nos números do comércio exterior brasileiro. Em março, as exportações do Brasil para o Oriente Médio recuaram 26%, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, passando de US$ 1,2 bilhão, em 2025, para US$ 882 milhões no mesmo mês de 2026, considerando 15 países da região. O cenário ocorre em meio à tensão no Estreito de Ormuz, centro de declarações recentes do presidente norte-americano Donald Trump de que a rota está sob controle de Washington e fechada até um eventual acordo com o Irã.

O impacto da instabilidade geopolítica vai além da retração nas exportações e atinge diretamente a logística internacional. Quando se fala naquela região, normalmente se pensa em petróleo e gás, mas o bloqueio impede a passagem de qualquer navio, inclusive porta-contêineres com mercadorias diversas.

Na prática, a restrição na rota marítima importa entraves à logística e às relações comerciais, com reflexos sobre prazos e contratos. O país está entre os que dependem diretamente do Estreito de Ormuz, corredor estratégico que liga os grandes produtores do Golfo, como Arábia Saudita, Irã e Iraque, ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico.

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A dependência logística da região também expõe setores estratégicos da economia brasileira, especialmente o agronegócio, que mantém forte presença no mercado do Oriente Médio. Se há cargas destinadas à Arábia Saudita que precisam atravessar o Estreito de Ormuz, elas não conseguem chegar. E, se chegarem, será muito além do prazo inicialmente estimado. É comum a exportação de carne e frango para a região. Uma interrupção pode exigir o redirecionamento da carga.

Na prática, esse encadeamento de riscos também pressiona contratos e coberturas de seguros, que passam a incorporar exclusões cada vez mais rígidas. Ao contratar o seguro, é comum haver exclusões para determinados destinos, como Irã ou até Arábia Saudita. Existe um rol de países excluídos porque o risco aumenta, e isso prejudica diretamente o comércio.

Baudilio Regueira e João Paulo Braun são advogados, sócios da Reis, Braun e Regueira Advogados Associados, com 25 anos de experiência em direito marítimo e transportes.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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