No calendário corporativo, algumas datas pedem mais do que uma lembrança formal. O Dia do Psicólogo, celebrado em 27 de agosto, é uma oportunidade para refletir sobre o impacto desse profissional no futuro das companhias. Em um mercado em que as demandas crescem e a pressão por resultados é constante, o cuidado emocional deixou de ser uma ação isolada e passou a fazer parte das estratégias para manter equipes motivadas e capazes de entregar o seu melhor.
O investimento em saúde mental já demonstrou influenciar diretamente indicadores de produtividade, engajamento e retenção de talentos. Organizações que adotam práticas consistentes observam queda nas taxas de afastamento e aumento da satisfação interna. Dados da Gallup revelam que times satisfeitos têm 50% menos acidentes, enquanto a Universidade de Oxford aponta que profissionais felizes podem ser até 13% mais produtivos.
Para que esses resultados se tornem realidade, o psicólogo corporativo atua como ponte entre necessidades individuais e metas coletivas. Observa comportamentos, identifica sinais de sobrecarga e propõe soluções antes que os problemas se agravem.
Seu trabalho inclui criar programas de prevenção, desenhar ações que incentivem o equilíbrio entre vida profissional e pessoal e assegurar que o bem-estar esteja integrado às políticas internas
Além disso, é o especialista que mais contribui para o fortalecimento da liderança. Treina gestores para lidar com situações delicadas, oferece ferramentas para mediação de conflitos e orienta sobre práticas que aumentam o engajamento e reduzem tensões na equipe.
Ao estabelecer um canal de diálogo aberto, ajuda a criar um clima de confiança que favorece a cooperação. Trata-se de uma atuação que exige sensibilidade para compreender contextos e técnica para implementar mudanças efetivas.
Depois da pandemia, um novo olhar para o bem-estar no trabalho
A pandemia foi um divisor de águas para o cuidado psicológico no ambiente de trabalho. O que antes era visto como benefício extra passou a ser elemento crucial da gestão de pessoas. Isolamento, mudanças bruscas e incertezas aceleraram a conscientização e levaram diversas empresas a criar programas estruturados e canais de escuta para prevenir problemas e oferecer suporte contínuo.
Hoje, o cuidado psicológico está cada vez mais presente na cultura das organizações. Aquelas comprometidas investem em treinamentos, rodas de conversa e políticas que reforçam a segurança emocional.
Um estudo da PLOS ONE mostrou que, após seis meses, participantes de programas de apoio reduziram, em média, 5,6 pontos no escore de depressão (PHQ-9) e 5,48 no de ansiedade (GAD-7), além de melhorarem a capacidade funcional e permanecerem mais tempo no emprego.
A liderança é peça central nesse movimento. Gestores preparados criam ambientes seguros, incentivam o diálogo e dão espaço para que as pessoas se expressem sem medo de julgamentos. Essa postura quebra estigmas e mostra que saúde mental não é tabu.
Quando líderes demonstram abertura e cuidado genuíno — seja ouvindo ativamente, ajustando demandas ou apoiando iniciativas de bem-estar — deixam claro que o equilíbrio emocional é prioridade. Esse exemplo inspira a equipe, fortalece a confiança e aumenta o engajamento coletivo.
Sempre afirmo que investir em saúde emocional é investir no futuro do negócio. Mais que uma escolha ética, é uma decisão estratégica com impacto direto na produtividade e na retenção de talentos. E, no Dia do Psicólogo, lembre-se: o futuro da sua marca pode estar na próxima conversa que você decidir ouvir.
Raquel Cavalleri é psicóloga clínica, psicanalista, professora e palestrante. É também coordenadora de saúde mental da HealthBit.
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