| Foto: Marcos Tavares/Thapcom
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Desde que teve início a pandemia originada pelo novo coronavírus, o isolamento social como forma de contenção da propagação da Covid-19 tem se mostrado estratégia eficaz e segura. Pais, responsáveis, alunos, professores, dirigentes educacionais e sindicatos, têm buscado alternativas para a continuidade das aulas e da aprendizagem e, seguidamente o debate da volta às aulas é posto.

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Mas, o que dizem as pesquisas? Estudos feitos nos Estados Unidos, Inglaterra e Austrália indicam que as infecções entre as crianças podem ser baixas, mas a contaminação de professores e funcionários será bem mais significativa numa suposta volta às aulas durante a pandemia.

Em São Paulo, pesquisadores do grupo Rede de Escolas Públicas e Universidade (Repu) desenvolveram um simulador para calcular o impacto nas contaminações e mortes por Covid-19 levando em conta a localização da escola, suas dimensões, espaços livres, tamanho das salas de aula etc. Na média, a simulação mostrou que o retorno às aulas no fim de agosto de 2020 contaminaria 46% dos alunos num prazo de dois meses, e eles replicariam essa contaminação em suas famílias, elevando significativamente o número de doentes e mortes. Conclusão: a alternativa segura ainda é manter as escolas fechadas.

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No Paraná, a Secretaria de Estado da Educação criou um comitê junto com a Secretaria de Planejamento e a Casa Civil em junho – ou seja, em plena ascendência das taxas de contágio e mortes – para discutir a volta às aulas. O comitê fala em protocolos de segurança já conhecidos, como o uso do álcool gel, a alternância de lugares para os alunos ocuparem nas salas de aula, grupos que assistiriam às aulas presenciais em dias alternados, entre outras medidas.

Diante dessas propostas, as perguntas que nos ocorrem são: Essas pessoas conhecem a realidade da rotina de uma escola? Há quantos anos não visitam uma escola real, em período de aula, com sua dinâmica de atividades e intensidade de relacionamentos que caracterizam o ambiente escolar?

Só quem desconhece como crianças e adolescentes se comportam em grupo e quão intensos são em suas demonstrações de afetividade pode imaginar que será fácil e seguro manter o distanciamento social entre os estudantes. O espaço escolar ordenado e dividido com determinações rígidas de localização e possibilidades de deslocamento só existe no imaginário de quem não vive a escola e não compreende a sua dinâmica.

Então, que se respeite pelo menos as pesquisas e os estudos sérios já realizados. Todos indicam a necessidade de isolamento social, de realizar testagem em massa, adotar medidas rígidas de monitoramento dos infectados como procedimentos iniciais, antes de um paulatino e parcial retorno das atividades presenciais coletivas. Volta plena às aulas e com segurança, só depois da vacina.

Maria Eneida Fantin é professora do curso de Geografia na área de Geociências do Centro Universitário Internacional Uninter.

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