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O presidente chinês, Xi Jinping, discursa durante a celebração do 100º aniversário de fundação do Partido Comunista Chinês, em Pequim, China, 1 de julho de 2021. Imagem ilustrativa.
O presidente chinês, Xi Jinping, discursa durante a celebração do 100º aniversário de fundação do Partido Comunista Chinês, em Pequim, China, 1 de julho de 2021. Imagem ilustrativa.| Foto: Xinhua/Agência EFE/Gazeta do Povo

A China tem em seu currículo um rol invejável de desrespeito aos direitos humanos. No Brasil, boa parte da sociedade ignora essas atrocidades. Governos, empresários, jornalistas e cidadãos. A organização não governamental Anistia Internacional, respeitada e constantemente citada pela imprensa nacional, dedica uma página exclusiva ao monitoramento de violações aos direitos humanos na China.

Entre alguns exemplos chocantes, a Anistia Internacional afirma que, em 2020, defensores dos direitos humanos foram perseguidos na China e, em muitos casos, nunca mais foram achados. Na província de Xinjiang, o Partido Comunista Chinês mantém uma política cruel, violenta e hedionda de perseguição aos uigures, minoria muçulmana que busca apenas sobreviver em sua terra mãe. Campos de concentração oficiais do governo chinês aprisionam os uigures e dezenas de relatórios públicos confirmam a existência de tortura, violência e estupro.

E ainda assim, no Brasil, não questionamos a China.

Sim, a China é um importante parceiro comercial do Brasil. Sim, o importante agronegócio brasileiro tem na China um dos seus principais compradores. Sim, somos um país de commodities que depende, em boa parte, do dinheiro chinês. Sim, na política, a hipocrisia existe e sempre existiu.

Desde sempre e em todo o mundo, algumas ditaduras são questionadas e pressionadas, enquanto outras são ignoradas e, em muitos casos, aplaudidas. Regimes violentos e ricos, como a China, são pouco questionados, afinal, geram enormes benefícios econômicos. Regimes violentos e pobres, como a Venezuela, são criticados – como deveriam ser.

Ainda assim, precisamos questionar a China.

O governo federal – não só este, mas o do passado e o do futuro – precisa pensar duas vezes, pelos motivos citados anteriormente, antes de comprar briga com a China. Mas não só de governo se faz um país. Precisamos, sim, questionar a China. O poderio econômico e comercial de um país não pode ser desculpa para qualquer outra nação aceitar atrocidades cometidas contra pessoas. Pessoas como eu e você, reduzidas a números, mas que sentem dor, medo, solidão, fome e frio. Milhares de pessoas que somem, são mortas, violentadas e torturadas por um regime que não é nem sequer questionado.

Precisamos, todos, questionar a China. Empresários, jornalistas, deputados, senadores, ativistas, influenciadores e cidadãos comuns. Por menor que seja a ação, é preciso questionar a China. Pelo simples fato de o Partido Comunista Chinês não ser acostumado com questionamentos, o menor deles já gera desconforto.

A China precisa ser questionada e sentir-se desconfortável. Precisa saber que ao redor do mundo, inclusive no Brasil, há pessoas que sabem e não toleram atrocidades. Nosso karma agradece e os milhões de chineses que sofrem na mão do Partido Comunista Chinês também.

Jorge Santos é presidente do Movimento Democracia Sem Fronteiras.

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