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Em referência ao artigo publicado no dia 3 de junho cujo titulo é: “República Italiana: pouca liberdade e muita ideologia”, escrito pelo filósofo italiano Stefano Fontana, e que foi publicado na revista italiana “La nuova bussola Quotidiana” no mesmo dia 03 de junho passado.

O conteúdo do artigo, traduzido na íntegra para o português e sem nenhum comentário por parte da Gazeta do Povo, fornece uma interpretação pessoal do autor que em nada corresponde à realidade da República democrática italiana, que nasceu 75 anos atrás, no dia 2 de junho de 1946.

Surpreende-me que um jornal renomado como a Gazeta do Povo, que sempre forneceu aos seus leitores uma visão objetiva e pontual dos fatos, faça seu este controvertido artigo, que dá uma interpretação distorcida e fraccionada da história e da democracia italiana, definida “república frágil, procedural e ideológica”, quase fazendo uma apologia do período fascista, denigrindo a Resistência e as muitas conquistas sociais destes últimos anos. Segundo o autor, faltaria na Constituição italiana (absolutamente laica) qualquer referência a Deus e ao patrimônio religioso, dando uma visão bizarra e obscurantista da nossa Carta.

Venho replicar a esse controvertido artigo dizendo que a democracia italiana é solida e madura, desde quando os italianos, escolhendo a República, começaram a construir uma nova história e até hoje, quando a nossa República está projetada no futuro.

Com esta escolha se abriu uma história de liberdade, depois de escuros vinte anos da ditadura fascista.

A partir do 2 de junho de 1946 a Itália transformou-se completamente, começando um período de desenvolvimento sem igual. A nossa Constituição, depois de tantos anos, é ainda muito viva, como a nossa democracia, que evolui em cada dia priorizando as pessoas, a sociedade civil e não aos interesses das partes.

Os tantos desafios que enfrentou a democracia italiana durante estes 75 anos (terrorismo, combate a máfia, terremotos devastadores e agora pandemia) consolidaram ainda mais a nossa democracia, graças as extraordinária mobilização de toda a população.

Isso não quer dizer que a nossa democracia seja perfeita: trata-se de um processo em contínua evolução, mas cujas raízes são fortes e promissoras. Como cada construção, a democracia é o reflexo dos limites e das contradições da vida.

A Itália tem potencialidades extraordinárias, além do inigualável patrimônio de arte e cultura, que tem as suas raízes no passado e que continua difundindo ao mundo inteiro graças pelos muitos italianos que vivem no Brasil e no Paraná, sendo sempre admirados em qualquer lugar pela competência e capacidade. Também no enfrentamento à pandemia, os italianos aceitaram com grande espírito de sacrifício e participação as restrições necessárias impostas pela pandemia, o que demonstra que o Estado e a população caminham unidos e solidários.

Salvatore Di Venezia, Cônsul Geral da Itália no Brasil.

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