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Outro dia, em uma conversa com amigos, um deles me perguntou o que eu achava de nosso sistema de ensino. Segundo ele, nossos filhos não estão sendo preparados para o futuro, nem para que tenham condições de ter uma carreira profissional de nível, nem para serem pessoas de responsabilidade, corretas e dignas.

Penso que esta é apenas uma das muitas facetas deste mundo "pasteurizado" com o qual estamos sendo obrigados a conviver. Ao mesmo tempo em que temos ao alcance das mãos tanta tecnologia em todas as áreas, como comunicação, transportes, entretenimento, entre outros, convivemos com a degradação moral do caráter, das responsabilidades sociais e a quase total falta de sentimentos básicos de civilidade e de humanidade. É o mundo das famílias falidas, separadas, destruídas, que não dão nenhuma base a seus filhos.

O nosso sistema de ensino particular serve apenas aos interesses econômicos dos donos de escolas, cursinhos, faculdades e demais instituições que se dizem "educadoras". O ensino público, que outrora foi o berço de muitas personalidades e até de governantes, hoje é um reduto de professores mal pagos, decepcionados, em conflito consigo mesmo e de alunos que desenvolvem, acima de qualquer matéria exata ou humana, a habilidade de serem desumanos, com brigas, agressões a colegas, bandidagem e marginalidade.

Recordo, saudoso e triste, de algo que em minha infância era considerado lei natural e indubitável e que hoje é totalmente ignorado pelas nossas crianças e jovens: os nossos pais, as pessoas mais velhas e os professores eram "autoridades" a quem tínhamos o dever e o prazer de ouvir e respeitar. Do outro lado, eles tinham consigo o dever moral de serem, e comumente eram, modelos de sabedoria, conduta reta e impecável, servindo como exemplo a seus filhos, alunos e pupilos. Atualmente, a realidade mudou. Os mestres, em sua grande maioria, apenas cumprem seu horário de trabalho à espera de seu parco salário no fim do mês. A preocupação de ensinar, de abrir caminhos, foi substituída pelo medo de serem agredidos moral e fisicamente pelos mesmos jovens que antigamente estavam ali para receber ensinamentos, para aprender. O mundo mudou! Nossos filhos sabem tudo de internet, música eletrônica, "baladas", tênis, calças e bonés da moda, porém são um zero a esquerda em educação, preparação para a vida e até mesmo em respeito aos próprios pais. Sinceramente, temo pelo futuro dessa sociedade em que o que importa é o "ter" e não o "ser". Rogo, de verdade, que não seja necessária uma repetição de "Sodoma e Gomorra", com a destruição e o extermínio de uma raça falida ética e moralmente, neste nosso tempo, nesta nossa época, neste nosso mundo "tão moderno e evoluído"! Que Deus nos ajude!

Jefferson Dieckmann é técnico em Telecomunicações.

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