Ônibus seguem funcionando em Curitiba.| Foto: Luiz Costa/SMCS
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Diversos serviços são absolutamente imprescindíveis e vitais na luta contra o coronavírus e a terrível pandemia que há um ano nos assola. Denominados “essenciais”, estes serviços, além de fazerem parte da linha de frente da batalha, são também responsáveis pela manutenção da vida. Ao lado das instituições e dos profissionais que atuam na saúde, na segurança, no abastecimento e na produção de inúmeros bens, está o transporte público.

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Afinal, grande parte dos trabalhadores que precisam locomover-se diariamente nesta batalha necessitam do ônibus para tal, não sendo exagero afirmar que se trata de um “serviço essencial para os serviços essenciais” e, portanto, simplesmente não pode parar.

Paralelamente há um grande esforço em conjunto por parte das empresas operadoras do transporte coletivo da Região Metropolitana de Curitiba em manter o sistema seguro, operando de maneira eficaz e buscando evitar ao máximo um colapso operacional e financeiro, como o que se vê atualmente no sistema de saúde do nosso país.

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O que não se compreende, contudo, dentro do conturbado cenário atual, é por que o transporte coletivo segue sendo, segundo alguns ditos especialistas e sem nenhuma base científica, um dos grandes vilões do momento.

O próprio poder público afirma em recente artigo que o problema no caso da propagação do vírus não é o transporte público. Afirmação corroborada por diversos estudos científicos, bem como pela própria experiência realizada em inúmeras cidades em Santa Catarina, como Florianópolis e Itajaí, que suspenderam a circulação dos ônibus e mesmo assim não puderam conter o vírus.

Um recente estudo realizado pela Universidade de Caxias do Sul comprova que os ônibus têm uma renovação de ar maior que a exigida em supermercados, agências bancárias e aeroportos, por exemplo. Outro estudo, realizado pelo renomado Instituto de Tecnologia de Massachusetts e pela Universidade de Oxford, sugere que locais como o transporte coletivo, mesmo com alta ocupação, apresentam baixo risco de contágio devido às características do serviço, tais como: período curto de permanência, espaço fechado com ventilação, frequentes renovações de ar (ao abrir as portas a cada 350 metros, em média), uso obrigatório de máscara, o fato de as pessoas não ficarem falando ou gritando e de as empresas seguirem protocolos de segurança e disponibilizarem álcool em gel para colaboradores e passageiros.

Quando levamos os estudos à prática, observa-se que o nível de contaminação entre os colaboradores do transporte coletivo – motoristas e cobradores – é cerca de 25% mais baixo que o da população geral das cidades.

Se o transporte coletivo fosse, como muitos equivocadamente acusam, o grande vetor de transmissão do coronavírus, motoristas e cobradores deveriam estar entre os grupos mais infectados. Como bem aponta Roberto Sganzerla em artigo sobre o tema, o problema não está no “coletivo”, mas no “coletivo sem protocolos”.

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O momento está nos ensinando diversas lições e uma delas é a de que os hábitos anteriores não serão renovados no “novo normal”. Precisamos incorporar o escalonamento nas atividades nas quais percebemos ser possível haver uma vida normal dessa forma. O escalonamento garante a boa circulação das pessoas, atende a todos os interesses da sociedade, do comércio, da indústria e do ensino. Assim, todos podem se deslocar com segurança.

O sistema opera com uma capacidade ociosa na absoluta maioria das horas do dia e gera uma concentração em pouquíssimos momentos deste mesmo dia. Dessa forma, não consegue atender aos passageiros com qualidade, não gera escala econômica para o sistema, onera os operadores e culmina nos conflitos pontuais que vemos nestes dias.

O grande debate que precisamos ter é, portanto, o escalonamento das atividades ao longo do dia, que inevitavelmente trará mais segurança, melhor qualidade no serviço para todos e poderá, ao longo do tempo, equilibrar as contas do sistema, trazendo estabilidade de custos ou até redução tarifária para quem usa o transporte coletivo.

O transporte é o serviço essencial dos serviços essenciais. Se for paralisado, nenhum dos demais setores funcionará com a eficiência necessária e muitos serão totalmente prejudicados, colocando em risco ainda mais vidas. Isso, sim, será o verdadeiro colapso.

Lessandro Zem é presidente da Metrocard.

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Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]