O título deste artigo foi o lema escolhido por dom Moacyr Vitti para orientar sua vida episcopal. Que sentimentos estariam no coração de nosso arcebispo ao escolher este lema? Imagino que estivesse a citação do evangelho de João, que diz: "e haverá um só rebanho e um só pastor" (Jo 10,16). É quando Jesus se identifica com o Bom Pastor e manifesta o desejo de reunir, em torno do Pai, todos os povos da terra.
A unidade dos povos foi o sentimento de dom Moacyr ao escolher este lema? Uma grande meta, ousada até. Certamente digna de um bispo: um grande bispo. Sim, porque o Bom Pastor expõe a sua vida pelas ovelhas, gasta a sua vida pela causa em que acredita e pela qual vive e se consome. Faz disso um mandamento. Dom Moacyr adquiriu diabetes porque trabalhou demais, acima do seu limite humano. Este pensar alia-se ao maior mandamento: o amor, a Deus e ao próximo. Quando este sentimento se transforma em meta, nos faz entender que viemos a este mundo para apender a amar e a treinar na vivência deste mandamento. A pessoa faz da vida um dom radicalmente voltado para a causa que vive. Somente assim haverá "um só rebanho".
Os santos não foram necessariamente os mais perfeitos, mas os que muita força fizeram para atingir a perfeição. Treinar na vivência do amor para que haja um só rebanho e um só Pastor. "Um só coração". Que meta nobre a de dom Moacyr! E quem conviveu de perto, bem perto com ele sabe o quanto ele buscou esta meta. Era visível o quanto ele tentou viver o seu lema. Muitas vezes usava a palavra "coração". E, para completar, faleceu na véspera da festa do Sagrado Coração de Jesus, e sepultado no dia do Sagrado Coração de Maria. Quem ousa ter na vida tal meta partilha do sonho mais profundo de Deus, conforme a expressão de Teilhard de Chardin: a "Amorização do universo".
Dom Moacyr se deixava incomodar quando a teimosia humana insistia em se desviar desse horizonte, tal era o seu desejo de atingi-lo. Mas, agora, já o contempla em plenitude, diante da face de Deus. A glória, a meta das metas de toda criatura humana: quando, com os olhos finalmente cerrados e o hálito extinguido, docemente ouvir: "Vem, servo bom e fiel. Vem, entra na glória do teu Senhor" (Mt 25,21). E haverá um "um só coração".
Dom Rafael Biernaski e dom José Mário S. Angonese, bispos auxiliares de Curitiba
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